10 de julho de 2026
Articulistas

3º mundo do presidente cowboy


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Há muito tempo, principalmente na política, o império norte-americano mostrava ter grandes porções de terceiro mundo que tentava ocultar. Essa negação de defeitos serve para enganar os incautos que imaginam que o império é um paraíso, que atende a todos de forma igualitária sendo o único modelo a ser seguido e imitado no mundo, em um caminho de mão única sem diversidade, debates ou busca por outras alternativas. Mas, no coração do império, existem milhões de pessoas analfabetas, um sistema extremamente intolerante com o pobre e com problemas de racismo.

Recentemente, tivemos o vexame da eleição de George W. Busch, embora quem venceu, de fato, as eleições tenha sido o candidato democrata Al Gore. Nessas eleições nos Estados do Sul do Império, os negros foram impedidos de votar com a retirada de circulação de linhas de ônibus. Mesmo assim o candidato democrata venceu, mas não levou. Se algo semelhante tivesse acontecido por aqui teríamos sido acusados de horríveis assassinos das liberdades democráticas.

Os últimos acontecimentos terceiro-mundistas no império dizem respeito ao desprezo do presidente cowboy com os Estados do Sul atingidos pela catástrofe do furacão Katrina: demora no atendimento das vítimas e, quando esse atendimento veio, foi insuficiente para a população negra e pobre, que não teve recursos materiais financeiros para abandonar a cidade de Nova Orleans, tragada pela catástrofe natural.

Aliás, as previsões de que essa tragédia algum dia aconteceria mostra o racionalismo instrumental desse cowboy que só pensa em submeter a natureza e obter resultados materiais imediatos ao não se preocupar em reforçar os diques que envolvem a cidade e a não adesão ao Protocolo de Kioto sobre o clima, sob o argumento de que o império não pode parar de produzir. Só que esse modelo suicida está alterando o clima global e agudizando os problemas que já existem.

Nessa catástrofe em que os pobres e negros sofrem, o império perdeu sua inocência sobre o terceiro mundo que existe nele em apenas três dias e só resolverá os problemas em que está envolvido com o auxílio de toda a humanidade. Bem-vindo ao terceiro mundo, presidente cowboy.

O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de história do ensino médio