09 de julho de 2026
Nacional

‘Quem mentiu vai aparecer’, afirma Lula

Por Fábio Guibu | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Maceió - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, durante solenidade de inauguração do novo aeroporto de Maceió, que a crise política não é motivo para traumas no País. Segundo ele, não será a primeira nem a última vez que “percalços políticos” atingirão o Brasil.

“Não há por que ficarmos mais ou menos traumatizados”, disse. “Quem mentiu vai aparecer, quem fez alguma coisa que seja verdadeira vai aparecer, e a democracia continuará no seu leito natural para fortalecer este País.” “O País tem seus percalços políticos”, afirmou. “Não é a a primeira vez nem será a última e é bom que seja assim, porque isso vai consolidando o processo democrático do nosso País”, declarou.

Sem mencionar a punição imposta ao deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que teve seu mandato cassado pela Câmara, Lula disse que “as mentiras que foram contadas irão aparecer” e que “aqueles que tiverem culpa pagarão pelos erros que cometeram”. Segundo ele, “essa é a lógica natural da política em qualquer lugar do mundo”.

Comparando o povo brasileiro a um filho que necessita de cuidados da mãe, o presidente afirmou que sua responsabilidade é cuidar para que “qualquer que seja a acusação (...), contra quem quer que seja, não prejudique os 186 milhões de brasileiros (na realidade, são cerca de 184,5 milhões, de acordo com a estimativa mais atualizada do IBGE)”. “No fundo, no fundo”, declarou Lula, são eles “as vítimas quando as coisas não dão certo”.

“Nós temos 186 milhões de filhos. Tem uma parcela de 45 milhões que tem acesso a bens materiais, emprego, salários. Mas tem uma parte que não tem, e é dessa parte que nós precisamos cuidar de forma prioritária. É nessa parte que nós precisamos fazer um certo chamego, porque essa gente precisa sobreviver com dignidade”, disse o presidente.

O discurso do presidente, feito em 25 minutos, de improviso, foi recebido com aplausos e vaias pelas cerca de 2 mil pessoas que acompanharam o evento. O maior grupo de manifestantes - formado por aproximadamente cem militantes do PSTU, PCB, Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), sindicatos e estudantes - ficou isolado, a cerca de 50 metros do palanque.

Portando faixas com inscrições “Fora Lula, fora todos”, eles gritavam e batiam com as mãos nas divisórias de alumínio que os separavam do restante do público. Lula ainda os cumprimentou antes de discursar: “Vocês aí, que estão gritando, que não estão gritando, muito bom dia”. A resposta foi mais uma vaia.

Vigiados por seguranças, os manifestantes permaneceram no local até o fim da cerimônia e foram embora pacificamente. Não houve confronto nem confusão. Além de comentar a crise política, o presidente elogiou em seu discurso a economia brasileira. Disse que o Brasil, “em dez ou 15 anos, será um país altamente competitivo, produtivo, que não ficará devendo nada a nenhum outro país do mundo”.

Lula afirmou ainda que sua meta é melhorar a distribuição de renda para “levar comida na boca daqueles que estão, nesse país, há muitos e muitos séculos sendo massacrados”.