Maceió - A possibilidade de haver nova eleição para a presidência da Câmara está mexendo com o ego de parlamentares, na opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Tem muita gente sendo picada pela mosca azul”, disse ele durante a visita de ontem a Maceió (AL).
Lula não especificou quem estaria ansioso com a possibilidade de conquistar mais poder nem comentou as articulações para a escolha do eventual substituto de Severino Cavalcanti (PP-PE) no comando da Casa.
O vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL), que assumiria o cargo se Severino pedir afastamento, afirmou que não vê sinais de que o governo esteja articulando a renúncia do pepista para forçar nova eleição e evitar assim a posse do pefelista. “Acho que seria recebido de modo normal pelo governo”, disse. “Na minha eleição, tive 300 e poucos votos. Se tive isso, então tive 200 votos da base do governo.”
Nonô afirmou que não vê “problema em assumir ou não assumir”, mas lembrou que, como vice, presidiu as sessões “mais controvertidas desse período”.
O pefelista não quis comentar como estão as negociações para uma eventual eleição. “Não faço inventário de gente viva, vamos esperar que isso aconteça (a renúncia) para depois discutiremos a realidade”, afirmou. A mesma opinião tem o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). “Essa discussão (sobre a sucessão de Severino) não tem sentido porque não há vacância do cargo”.
Renan admitiu, porém, que os partidos estão se mobilizando internamente. “Estão conversando entre si, mas ainda não conversaram com outros partidos”, disse.
O senador desconversou sobre a possibilidade de o PMDB indicar o presidente da legenda, deputado Michel Temer (SP), para a disputa. “O Michel já foi presidente da Câmara, é um grande quadro do PMDB e do Brasil, de modo que, toda vez que alguém falar em um candidato, vai sempre lembrar do nome do Michel. Mas não sei se será o caso”, disse.
Renan afirmou que o PMDB tem direito de apresentar um candidato, “assim como os outros partidos também têm”, mas não confirmou a intenção. “O que o regimento diz é que o maior partido tem o direito de indicar o candidato.”
Para ele, é preciso ter “prudência”, porque, se Severino renunciar, será preciso “unir os partidos em defesa da instituição, do cumprimento de uma agenda que, pela inércia política, não consegue caminhar”.