Rio - O italiano Vladimiro Leopardi - que aparece nos contratos sociais como dono dos restaurantes de luxo das redes Satyricon e Capricciosa - será indiciado pela Polícia Federal (PF) sob a acusação de associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, afirmou o delegado Ronaldo Urbano, diretor da Coordenação Geral de Polícia de Repressão a Entorpecentes (CGPRE) da PF em Brasília.
O Satyricon tem filiais em Ipanema e em Búzios. A Capricciosa é uma rede com estabelecimentos em Ipanema, Jardim Botânico e Copacabana. São freqüentados pela classe média alta do Rio.
Conhecido como Miro, Leopardi aparece em escutas telefônicas da PF, feitas com autorização da Justiça, conversando com José Antônio Palinhos Jorge Pereira, que seria o organizador, no Brasil, de uma rede de distribuição de cocaína colombiana para Portugal, desmantelada, na quarta-feira, pela Operação Caravelas.
Nas conversas, Palinhos combina com Miro remessas de dinheiro para investimentos nas redes de restaurantes, inclusive para a inauguração da boate Capital, que está sendo construída na lagoa Rodrigo de Freitas (zona sul). Ontem, agentes federais fizeram busca e apreensão no apartamento de Miro, em Ipanema. A PF irá pedir o seqüestro judicial dos bens da organização, que seria chefiada internacionalmente pelo empresário português Antônio dos Santos Damaso.
Além de Palinhos e Damaso, também foram presos Rocine Galdino de Souza, o Velho, dono do depósito no mercado São Sebastião, na Penha, onde foi localizada 1,6 tonelada de cocaína; o advogado Estilaque Oliveira Reis, Márcio Junqueira de Miranda, Vania de Oliveira Dias e Carlos Roberto da Rocha, o Tobe, encarregado de preparar o envio da cocaína da Colômbia para o Rio de Janeiro.