07 de julho de 2026
Auto Mercado

Editorial

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 1 min

Se você pensa que poucos segundos não são capazes de transformar para sempre sua vida, certamente mudará de idéia após ler a reportagem principal da edição de hoje do AutoMercado & Cia. Nela, duas vítimas bauruenses que sobreviveram a atropelamentos relatam os dramas do pós-acidente e os sofrimentos pelos quais são obrigados a conviver desde então, especialmente com terríveis seqüelas físicas e psicológicas.

Os dois casos ilustram uma pequena realidade que pode ser considerada como questão de calamidade pública no País: o trânsito, responsável por números trágicos de mortos que se igualam às mais sangrentas guerras já deflagradas no planeta. Só no Brasil - pasme! - são mais de 30 mil mortos e cerca de 350 mil feridos todos os anos!

Por isso, sempre chegam em boa hora as semanas nacionais de trânsito, que este ano terá o pedestre como alvo. Todas as ações desenvolvidas com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância de encarar o trânsito como questão de cidadania devem ser louvadas.

Entretanto, também é forçoso reconhecer que tais iniciativas ainda são insuficientes para resolver problemas do gênero cujas, raízes são muito mais profundas do que se parece. Cite-se, por exemplo, a ineficiência do sistema de formação de motoristas, a falta de educação para o trânsito - esporadicamente ensinada em escolas -, a precária situação estrutural das vias públicas do País e o envelhecimento da frota de veículos, causada pela indecente distribuição de renda . Enquanto pontos como esse não forem resolvidos, a luz no fim do túnel vai demorar para aparecer.