08 de julho de 2026
Auto Mercado

Um pesadelo chamado atropelamento

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

As bauruenses Rosana de Souza Santos Guedes, 37 anos, e Leonor Gonçalves Daguano, 66 anos, não se conhecem. Mas elas têm em comum um problema que mudou para sempre, e para pior, suas vidas: ambas foram atropeladas em vias públicas e ainda sofrem com as terríveis seqüelas físicas e psicológicas dos acidentes de que foram vítimas.

O pesadelo de Rosana começou logo nas primeiras horas da manhã de um dia de março de 2004. Eram cerca de 8h e ela já caminhava às margens da rodovia Cesário José de Castilho (SP- 321), que liga Bauru a Iacanga, em direção a uma escola, onde trabalhava como inspetora de alunos. Tudo ia bem até o momento em que Rosana, ao tentar atravessar a estrada, só teve tempo de ver um veículo aproximando-se rapidamente e já tentando desviar-se dela.

Não houve tempo. O carro a atingiu violentamente, impulsionando seu corpo a vários metros do choque, deixando-a inconsciente, causando-lhe diversos ferimentos - quebrou o fêmur da perna direita em três pontos e levou oito pontos na cabeça e sete no joelho - e obrigando-a a superar a perda de um filho que gestava há três meses na barriga. “O automóvel não teve culpa. Estava distraída”, admite.

Por causa da desatenção que quase lhe custou a vida, Rosana convive há um ano e meio com uma rotina interminável de internações, operações para colocação e retirada de dez pinos da perna e combate às infecções causadas pelas cirurgias, além de diversas sessões de fisioterapia. Como necessita de assistência permanente, ela também passou a morar na casa da mãe, na Vila São Paulo, e o marido dorme todas as noites na antiga residência, no Colina Verde, para proteger o bem contra eventuais atos criminosos.

E, apesar de todo o tratamento realizado, atualmente tem grande limitação de movimentos e é forçada a utilizar um andador e um fixador na perna. “Ainda sinto muita dor e passo grande parte do tempo na cama. Além disso, preciso do auxílio de outras pessoas para fazer tudo, como tomar banho e tomar conta dos filhos”, conta.

Já Leonor Gonçalves Daguano, moradora do Jardim Solange, sofre com a perda de movimentos da mão direita seriamente machucada após o atropelamento que foi vítima em maio deste ano na cidade. O acidente ocorreu quando ela caminhava, no início da noite, por uma rua do núcleo Geisel e foi atingida por um caminhão. “Estava com um pé na calçada e só senti o impacto. Depois fui acudida pelos vizinhos”, recorda.

Como conseqüência do acidente, quebrou o braço direito em dois lugares - a mão teve os nervos afetados -, passou três semanas hospitalizada e precisou ser operada para colocar pinos, além de ter sido obrigada a parar de trabalhar - antigamente, ela atuava como empregada doméstica - e iniciar sessões de fisioterapia. Por isso, Leonor, viúva há 16 anos, conta com o valioso auxílio dos recursos oriundos de sua aposentadoria e do marido falecido, além de um pouco de dinheiro do filho empregado, para sustentar-se.

Além das seqüelas físicas, Leonor também convive agora com o trauma psicológico do atropelamento, da qual não teve culpa. “Tenho medo de sair de casa. Quase não ando mais na rua”, revela. Por isso, ela dá um conselho aos pedestres. “É preciso ter cuidado e atenção redobrada”, conclui.