08 de julho de 2026
Geral

Tatuagem ajuda a identificar corpos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A tatuagem é a mais nova aliada do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru na identificação de cadáveres que chegam ao local desprovidos de documentos que revelem nome e endereço dos mortos. Com a colaboração do programa Record Urgente, da TV Record de Bauru, a marca tornou-se componente rastreador de familiares das vítimas de assassinatos e atropelamentos.

O diretor do Instituto Médico Legal, Ivan Segura, diz que só neste ano pelo menos seis cadáveres que chegaram ao local sem identificação foram reclamados por familiares após a divulgação de imagens das tatuagens pelo programa da Record.

â€œÉ impressionante. Na primeira vez que divulgamos, em apenas uma hora os familiares apareceram no IML para identificar o corpo”, Segura explica que as penitenciárias tomam o cuidado de registrar em suas fichas as marcas encontradas no corpo de seus presos, o que ajuda, no caso de óbito, a revelar a identidade.

Bastante comum na trajetória da humanidade, as tatuagens são encontradas até mesmo nas múmias egípcias. Charles Darwin, na sua Teoria da Evolução imortalizada no livro “A descendência do homem”, de 1871, fez questão de registrar em suas andanças pelo mundo as tatuagens que encontrava nos aborígenes de vários lugares do planeta.

“Os índios da época do Brasil colonial eram marcados na testa após serem capturados de uma fuga”, lembra o diretor do IML. Comum entre os presidiários, a marca é feita na pele com a aplicação de tinta esferográfica e até mesmo cinza de cigarro.

O médico legista conta que quando um corpo chega ao IML sem identificação, a primeira providência é a coleta das impressões digitais. “Elas são comparadas com os registros cadastrados. O problema é que o processo de identificação ocorre apenas em nível estadual. Não há um órgão centralizador em nível nacional para a coleta das impressões digitais”, conta.

No caso de cadáver carbonizado, o processo de identificação complica-se ainda mais. “A carbonização chega a queimar ossos. O corpo fica sem mãos e braços. O jeito é buscar o que temos ali para comparar com alguma coisa, como a arcada dentária. O DNA também é outra fonte de informação, embora ainda não muito acessível. Praticamente apenas dois laboratórios fazem o exame no País”, informa.

Na avaliação do médico legista, a tatuagem está se tornando uma grande aliada do IML na revelação da identidade. “Ela serve, na maioria dos casos, para a confirmação. É sempre um dado a mais”, explica. Na média, um corpo não identificado fica uma semana no IML. Após esse período, é sepultado na condição de indigente.

Prestação de serviços

A direção de jornalismo da TV Record Bauru já encara a divulgação de tatuagens e cicatrizes em cadáveres não identificados como uma prestação de serviços à comunidade. “Já tivemos um caso no qual a família compareceu ao IML minutos após divulgarmos as características da tatuagem no Record Urgente”, conta a jornalista Valéria Bidoia, editora do programa.

Segundo ela, a maioria dos casos envolve homicídios e atropelamentos. Mas nem sempre a violência prevalece. “Um senhor de idade avançada faleceu no Centro de Garça e ele foi encontrado sem documentos. Divulgamos suas características e a família compareceu ao IML para identificar o corpo”, conta.

Bidoia diz que a identificação não se resume à divulgação de tatuagens e cicatrizes. “Às vezes, uma correntinha no pulso ou no pescoço também colabora. São detalhes que chamam a atenção de quem conhece a pessoa.”