07 de julho de 2026
Geral

Referendo é 'fantasma' para eleitores

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Você sabia que no dia 23 de outubro cerca de 120 milhões brasileiros com direito a voto vão às urnas eletrônicas dizer se o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? Se sua resposta é negativa, não se preocupe. Você faz parte de uma lista composta pela maioria dos eleitores que ainda desconhece a realização do referendo, o direito ao qual os cidadãos têm de se pronunciar diretamente através do voto a respeito das questões de interesse geral.

O evento compara-se a um dia de eleição normal. O eleitor terá de comparecer obrigatoriamente à sua seção eleitoral no período das 8h às 17h - ou justificar o voto se estiver fora de seu domicílio eleitoral - , munido do título e documento de identificação, para se posicionar sobre a seguinte questão: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?” Quem apertar a tecla número “1” da urna estará escolhendo a opção “não”. A tecla número “2” é para quem deseja opinar “sim”.

Depois, é só apertar a tecla “confirma” e o voto estará registrado. O eleitor que apertar a tecla “branco” e em seguida a “confirma” votará em branco. Se apertar qualquer número diferente de “1” e “2” e depois a tecla “confirma” o voto será anulado. A previsão é de que o resultado do referendo seja divulgado no mesmo dia, na noite do domingo.

Se a metade do número de eleitores votantes optar pelo “sim” à pergunta da consulta, o Brasil vai proibir o comércio de armas de fogo e munição em lojas. Só vão poder portar armas de fogo os membros das polícias (Exército, Federal, Civil e Militar), empresas de segurança e afins. A partir da data de publicação do resultado no Diário Oficial da União, no caso da opção “sim”, o cidadão civil estará proibido de comprar armamentos e munições.

Se o resultado da consulta referendar o “não”, a situação permanecerá como está, ou seja, qualquer cidadão continuará adquirindo armas e munições, desde que respeitada a legislação vigente, que prevê o registro dos equipamentos comprados.

O assunto é polêmico e vai gerar, nos próximos 30 dias, muitas discussões e debates acalorados sob a coordenação de duas frentes, cada uma delas defendendo suas posições. O senador Renan Calheiros (PMDB/AL) é o presidente da Frente Parlamentar por um Brasil sem Armas. No lado oposto está o deputado federal Alberto Fraga (PFL/DF), coronel licenciado da Polícia Militar, que preside a Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa (leia matéria na página 13).

A última pesquisa que aponta o termômetro da consulta, divulgada na terça-feira da semana que passou, assinada pelo Instituto CNT/Sensus, revela que 72,7% dos entrevistados vão optar pelo “sim”, ou seja, querem a proibição do comércio de armas de fogo e munição. Disseram “não” 24,1%.

A orientação ao eleitor sobre o referendo começou na semana que terminou em todos os canais de televisão e emissoras de rádio, sob a coordenação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São minicomerciais de 30 e 60 segundos que já indicam ao ouvinte de rádio e ao telespectador como será o processo de votação no dia 23 de outubro.

Mas o debate promete esquentar a partir de 1 até o dia 20 de outubro, quando as duas frentes vão ter dois blocos, de dez minutos cada um, de propaganda gratuita no rádio e na televisão para expor à população os prós e os contras sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição no País.

No rádio, os programas serão veiculados das 7h às 7h10 e das 12h às 12h10. Na televisão, das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40.