08 de julho de 2026
Geral

Campanhas vão apelar para a emoção

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Prepare-se. A partir do próximo 1 a sua sala será invadida por campanhas publicitárias de forte apelo emocional. Uma vai defender a proibição do comércio de armas de fogo e munição no País. A outra vai tentar convencer os eleitores que votarão no referendo do dia 23 de outubro de que a proibição não levará o Brasil a diminuir seu indíce de mortes violentas.

Os marqueteiros que vão atuar nas campanhas, dentre os quais Chico Santa Rita, Walter Moreira Salles e Washington Olivetto, vão contrapor o pânico de um cenário de assalto ao receio de um tiro acidental disparado em casa. Personalidades políticas como Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso vão se juntar à campanha do “sim”. O time ganhará reforço do mundo artístico e contará com depoimentos de Marcelo Yuka e Fernanda Abreu.

Mas o presidente da Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa, deputado Alberto Fraga (PFL/DF), não se intimida com o marketing agressivo da Frente Parlamentar por um Brasil sem Armas. “Se a proibição for aprovada, não haverá nenhuma conseqüência prática. O Brasil vende hoje, por ano, cerca de 1.000 armas. Esse número não ajuda a engrossar as estatísticas da criminalidade do País”, garante Fraga.

Ele critica o valor que será gasto pelo TSE para promover o referendo. “Serão R$ 564 milhões. É um valor 30 vezes superior ao que o governo investirá em segurança pública neste ano em todo País”, informa. â€œÉ estanho o governo gastar mais de R$ 500 milhões para proibir que pouco mais de 500 armas sejam comercializadas por ano no País para os cidadãos de bem”, complementa.

Na avaliação do presidente da frente, o índice de criminalidade no Brasil somente cairá mediante a aplicação de políticas públicas sociais. “O governo tem de pensar em combater a violência e não a arma de fogo. Não adianta nada reduzir o número de homicídios por armas de fogo se aumentou o número de homicídios por facadas e pauladas. Enquanto houver desemprego, falta de saúde, de lazer, de educação, vamos continuar a ter uma sociedade violenta”, argumenta.

Na opinião do deputado, a legislação em vigor já é suficiente para coibir a compra de armas de fogo e munições. “Desde que a lei entrou em vigor houve uma redução considerável na aquisição de armas. Em 2004, foram comercializadas 1.044 armas. Até o mês de maio deste ano, 352 armas foram vendidas em todo País”, informa. “A proibição só vai institucionalizar o comércio paralelo, ilegal, de armas e munições”, complementa.

O discurso de Fraga é reforçado pelo vice-presidente da Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa, deputado Luiz Antonio Fleury Filho (PTB/SP). “Não estamos discutindo o desarmamento. O Estatuto do Desarmamento já está em vigor e tem regras que proíbem o porte de armas em todo País, além de criar dificuldades para comprá-las”, diz.

Para Fleury, não há relação de causa e efeito entre venda de armas e munições e o aumento ou diminuição da criminalidade. “A resposta sim ou não não mudará nada no estatuto. É preciso lembrar que bandido não compra arma em loja. Portanto, a proibição não diminuirá o número de armas nas mãos dos bandidos”, comenta.

Fleury tem certeza de que se o referendo proibir a venda de armas, os bandidos vão vibrar. “Daremos a certeza absoluta de que não haverá no Brasil uma única residência em que eles possam, eventualmente, enfrentar resistência armada.”

O parlamentar está confiante de que será possível reverter o quadro desfavorável à Frente pelo Direito da Legítima Defesa, que hoje aponta, segundo pesquisa CNT/Sensus, que 72,7% do eleitorado é favorável à proibição do comércio de armas de fogo e munições.