09 de julho de 2026
Geral

'Lobby da bala' será vencido, diz Calheiros

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Para o senador Renan Calheiros (PMDB/AL), presidente do Senado e da Frente Parlamentar por um Brasil sem Armas, o chamado ‘lobby da bala’ sairá derrotado do referendo que consultará a população sobre se o comércio de armas de fogo e de munição no País deve continuar.

“Estamos muito otimistas de que venceremos esse indecoroso lobby da bala que tentou, de todas as maneiras, evitar que a população se manifestasse sobre esse assunto”, afirma. Segundo ele, os números da criminalidade no Brasil são alarmantes.

“O País tem o vergonhoso título de campeão mundial de mortes por armas de fogo. Temos 2,8% da população mundial e respondemos por 9% dos homicídios cometidos por armas de fogo em todo o planeta, ou seja, no Brasil o cidadão tem três vezes mais chances de ser assassinado por uma arma do que em outros países, até países que enfrentam guerras civis, disputas territoriais e conflitos de outra natureza”, informa.

Calheiros explica que são 108 pessoas mortas por dia ou nove cidadãos a cada duas horas. O senador relata que 44% dessas vítimas são jovens entre 15 e 24 anos de idade. “Sessenta por cento dos crimes cometidos por arma de fogo - hoje temos perto de 36 mil mortes ao ano - ocorreram por motivos fúteis.

Não é alguém que saiu de casa para matar, mas uma briga no trânsito, uma rusga na rua, um desentendimento banal que acaba em tragédia porque alguém estava armado”, garante.

O presidente da frente diz que o deputado Alberto Fraga (PFL/DF) está equivocado ao afirmar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gastará R$ 564 milhões para realizar o referendo.

“Segundo o TSE, serão R$ 270 milhões e de uma única vez. Só no atendimento a baleados na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), que é mantido com o dinheiro dos nossos impostos, são gastos, todos os anos, R$ 140 milhões. Conta simples: dois anos de gastos do SUS com vítimas de armas já cobrem isso que o deputado qualificou como desperdício”, rebate.

Calheiros também discorda de Fraga, que afirma que a proibição do comércio de armas de fogo e munição aumentará o mercado clandestino.

“Pelo contrário, tende a eliminar, gradualmente, esse mercado clandestino existente hoje. A Secretaria de Segurança do Rio aponta que entre 1994 e 1999 a polícia recolheu 44.437 mil armas em mãos de bandidos. Nada menos do que 83% das armas, ou seja 36.936, eram de fabricação nacional, o que desfaz o mito de que o banditismo opera com armas contrabandeadas”, afirma.

O senador conta que 73% das armas apreendidas (32.469) eram revólveres de calibre 38. “Outro mito que cai por terra: o de que os marginais usam armas sofisticadas e de grosso calibre”, finaliza.