10 de julho de 2026
Política

Estela é reeleita com 96% dos votos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A atual presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) em Bauru, Estela Almagro, foi reeleita ontem com 96,1% dos votos válidos (que não incluem brancos e nulos) no Processo de Eleições Diretas (PED). É a terceira vez consecutiva que Estela sai vitoriosa das urnas nas eleições internas do partido. Seu principal concorrente na votação de ontem, o sindicalista Roque Ferreira, obteve dez votos. Estela recebeu 253. Seis filiados anularam o voto e oito votaram em branco. Atualmente, Bauru tem cerca de 800 filiados petistas.

A eleição foi marcada por denúncias de fraude feitas pelo candidato derrotado e por outros dois concorrentes que tiveram suas chapas impugnadas depois que a comissão eleitoral apontou irregularidades nos processos de solicitação de candidaturas.

Roque e Isaias Daibem, um dos impugnados, adiantaram que amanhã entrarão com pedido de impugnação da eleição em Bauru junto a Executiva do partido em São Paulo.

A chapa “Ética e Compromisso”, encabeçada por Daibem, aponta diversas irregularidades durante o processo eleitoral. Uma delas é que as eleições foram realizadas sem a formação da Comissão de Organização Eleitoral, considerada obrigatória. Outra falha, na avaliação dos integrantes da chapa impugnada, foi a divulgação dos locais de votação a um dia apenas da eleição. “A fraude é um comportamento permanente do diretório de Bauru”, criticou Daibem.

Roque, da chapa “Terra, Trabalho e Soberania”, reclamou que vários filiados contrários à corrente majoritária do partido, à qual pertence a atual presidente, foram impedidos de votar. “Na nossa chapa, nomes que estão concorrendo hoje (ontem) à chapa nacional não estão podendo votar, porque não constam da lista municipal. Isso é um absurdo”, protestou Roque.

A presidente alegou que os filiados impedidos de votar deixaram de fazer o recadastramento, estão no partido há menos de um ano ou não estão em dia com a contribuição partidária. “Pessoas do meu grupo também ficaram de fora”, disse.

Embora impedidos de votar, esses filiados podem ser votados. Na opinião de Roque, trata-se de uma “cidadania pelo meio”. “Isso é uma inovação criada aqui em Bauru. A cidade é sem limites até nisso. Sem limites na fraude. Sem limites no desavergonhamento. Sem limites na corrupção”, atacou.

“O que está acontecendo no PT hoje é uma imoralidade. A Estela ia ganhar as eleições. Não precisava ter feito essa fraude”, declarou Roque pouco depois do início das votações, no Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, na quadra 5 da rua Monsenhor Claro.

“Foi isso que levou o PT a estar envolvido com o “mensalão”, com corrupção. É isso que gera os “Delúbios”. Em Bauru tem os “Delubinhos” também. Como filiado do PT há 25 anos, militante histórico do partido, não posso aceitar isso”, reclamou.

Ainda no ataque, Roque compara a situação vivida pelo partido em Bauru com a situação em nível nacional. “Hoje (ontem) aqui em Bauru, nós estamos vendo o retrato da degeneração que o Campo Majoritário impôs ao Partido dos Trabalhares.”

Sobre o recadastramento que não teria sido feito pelos filiados impedidos de votar, o sindicalista mais uma vez alega que foi tudo uma fraude. “Temos aqui uma companheira que se recadastrou, que paga o partido, só que o nome dela não está na lista para votar. Como é que se explica isso?”, indagou.

A “companheira” citada por Roque é Neusa Maria Yshizuka, 54 anos. Ela afirma que fez o recadastramento e está em dia com a contribuição partidária, mas não pôde votar.

Estela, por sua vez, disse que “toda eleição é a mesma coisa”, referindo-se às reclamações feitas pelos adversários. “Eles tentaram o tempo todo tumultuar a eleição”, comentou.

Para que não houvessem argumentos dos concorrentes contra a legitimidade da votação, Estela disse que a comissão eleitoral aceitou abrir uma urna em separado para receber os votos daqueles que não estavam na lista. Ficaria a cargo da Executiva Estadual do partido avaliar se esses votos seriam considerados ou não. “Aberta a urna, o que aconteceu? Eles decidiram não votar”, relata.

Sobre os pedidos de impugnação da eleição em Bauru, a presidente reeleita disse que não está “nem um pouco preocupada”. “Isso faz parte do processo democrático. Cada um escolhe a forma que quer protestar. Eles escolheram a deles”, destacou.

Na eleição das chapas, a do campo majoritário recebeu 242 votos e a chapa “Terra, Trabalho e Soberania” recebeu 11 votos. Com isso, o grupo da presidente poderá indicar 95,6% dos membros que irão compor o diretório municipal. O restante será indicado pelo grupo de Roque Ferreira.