09 de julho de 2026
Política

Estudo aponta tarifa de R$ 1,64

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O passageiro que realiza viagem única no sistema de transporte coletivo urbano em Bauru custa R$ 1,64 e o valor de cada integração está em R$ 2,07 para as concessionárias. Estes são os valores apresentados na planilha de custos do sistema calculada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). Os dados foram repassados ao Conselho de Usuários, que vai opinar sobre o pedido de reajuste na tarifa, em reunião marcada para hoje, às 19 horas, no Terminal Rodoviário.

O parâmetro a ser submetido ao prefeito Tuga Angerami (PDT) na solicitação de reajuste da tarifa significa 9% acima do cobrado atualmente nas catracas. A tarifa comum está fixada em R$ 1,50, valor cobrado desde junho de 2004, quando ocorreu o último reajuste (era R$ 1,45). O passe integrado, para quem utiliza duas ou mais viagens em intervalo de até uma hora e meia, atualmente está em R$ 1,90.

É a segunda vez que a associação das concessionárias (Transurb) solicita aumento no valor da tarifa neste ano. No primeiro pedido, formulado em abril, a Transurb justificou aumentos no preço do óleo diesel, até então acumulado em 22%, elevação de gastos com peças e acessórios em 12% e previsão de reajuste no funcionalismo do setor em até 7%.

A Emdurb aplicou a planilha de insumos (custos fixos mais variáveis no sistema) e chegou ao valor de R$ 1,68 para a tarifa comum e R$ 2,12 para a integração. A avaliação sobre o pedido foi adiada sem ser submetida ao Conselho de Usuários, órgão que não tem o poder de fixar a tarifa, mas opina em forma de consulta através de representantes da comunidade.

Porém, em abril deste ano, o número de passageiros transportados foi de 2.303.048 milhões, mais de 100 mil a menos que o registrado no mês passado, quando as catracas atingiram a marca de 2,522 milhões de viagens. “No mês de abril ainda não tínhamos os reflexos positivos da entrada de novos passageiros por decisão do prefeito de incentivar o sistema através do transporte de servidores e alunos por meio de coletivos. Somente os servidores significaram 1.800 passageiros a mais, em um universo de mais de 2.000 atendidos pelo benefício do vale-transporte”, comenta o diretor de Transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior.

Mas a nova planilha apontou queda no custo da tarifa comum, ficando em R$ 1,64 até o início deste mês, por influência também de outro fator associado ao aumento no número de passageiros: redução na despesa com mão-de-obra com a eliminação de cobradores em vários períodos.

“O cálculo da planilha efetuado em abril já projetava previsão de reajuste salarial da categoria de cerca de 7%, o que não incidiu agora porque a negociação do setor apontou 6,1%. De outro lado, a decisão de eliminar cobradores de segunda a sábado, a partir das 20 horas, e o dia todo, nos domingos e feriados, contribuiu para a redução global da tarifa”, explica Fantini.

No cálculo técnico do custo do sistema isso se chama “fator de utilização”, índice que determina o custo da mão-de-obra por veículo. O custo fixo desse item na planilha apontou R$ 2,67 por veículo em abril e R$ 2,25 no início deste mês.

O valor da tarifa a ser autorizado às empresas concessionárias será analisado pelo conselho com a decisão final a cargo do prefeito Tuga Angerami. Nos bastidores, já se comenta que o Executivo não estaria disposto a reajustar o serviço acima de 10 centavos. Se este for o parâmetro, a tarifa comum passaria para R$ 1,60 e a integrada R$ 2,00.

Na apresentação do custo atual do sistema, a Emdurb listou valores de tarifas cobrados em outros municípios, como R$ 1,50 em Araçatuba, R$ 1,80 em Araraquara, R$ 2,00 em Jundiaí, R$ 1,90 em Londrina (PR), R$ 1,60 em Maringá (PR), R$ 1,90 em Piracicaba e R$ 1,80 em Presidente Prudente.

O sistema de transporte coletivo em Bauru conta com 234 ônibus, sendo 69 operados pela empresa TUA, 124 pela Grande Bauru e 41 pela Baurutrans. Até o final do ano passado, as concessionárias eram remuneradas com base no valor da tarifa calculado na Câmara de Compensação Tarifária (CCT). Uma ação judicial de autoria do Ministério Público (MP) contesta a existência de débito na CCT, o que gerou créditos em favor das empresas nos últimos 10 anos.