Há um ano a estudante Marcelina Amaro Olimpio aguarda a chegada de um equipamento para se locomover melhor. Sem poder andar devido a um problema na coluna, o aparelho traria liberdade e tratamento mais eficiente. O nome de Marcelina, porém, divide espaço com outros 500 de uma lista de espera, segundo estimativas da Unidade de Apoio à Reabilitação do Hospital Estadual de Bauru (HE), responsável pelo atendimento de portadores de deficiência física. A Direção Regional de Saúde (DIR-10) de Bauru e o HE pretendem, até o começo do próximo ano, reduzir à metade a fila e a espera.
Em julho de 2004, a DIR-10 transferiu ao HE os serviços de avaliação e atendimento a portadores de deficiências físicas congênita, mutilados ou seqüelados. Antes disso, os pedidos por equipamentos, chamados de meios auxiliares, como cadeiras de rodas, próteses e órteses (meio que auxilia ou substitui a função de um membro) eram feitas na própria DIR. Até então, a espera pela aquisição de um aparelho poderia durar até três anos.
Apesar de ser menor, o um ano de expectativa vivido por Marcelina Olimpo traz desânimo a cada dia que passa. “Acho que só vou conseguir (o aparelho) ano que vem. Se não demorasse tanto seria bem mais fácil (passar por isso), mas essa é minha única opção. Não tenho condições de comprar (a órtese). Só resta esperar”, lamenta a estudante.
Segundo o diretor da DIR, Afonso Viviani Júnior, o atendimento ao deficiente era mais demorado devido à dificuldade de atendimento e de avaliação criteriosa das necessidades dos pacientes. “Na medida em que conseguirmos integrar mais o serviço com o HE, iremos acelerar o processo”, afirma. A expectativa é de que a espera, entre o atendimento e a chegada do equipamento, seja de no máximo seis meses. Afonso afirma que casos mais urgentes já são atendidos em torno de 90 dias.
O aposentado Daniel Cavalcanti, no entanto, já aguarda há seis meses a cadeira de rodas. A renda mensal de R$ 300,00 não o permite comprar o equipamento avaliado em torno de R$ 1,2 mil. “Eu tenho várias atividades e preciso da cadeira. Como a minha está com problemas, deixo de fazer várias coisas. Acho que deve ter a lista de espera, mas acho que falta mais agilidade”, afirma.
A coordenadora da Unidade de Apoio à Reabilitação de deficientes físicos do HE, Mônica Gameiro acredita que a lista de espera atual ainda esteja grande devido à dificuldade relatada pelo titular da DIR-10. Com o atendimento multiprofissional prestado agora pelo hospital, a coordenadora acredita ser possível atender pelo menos a metade da lista até o início de 2006. “Estamos com o objetivo sério de resolver este problema”, diz.
Atualmente, ao dar entrada no HE, o paciente recebe tratamento médico de áreas variadas, além de atendimento psicológico e social. Com ele, Gameiro diz ser possível reduzir o período de análise do quadro do paciente, agilizando a espera pelo equipamento. Cabe ao HE também, trabalhar em cooperação com as unidades de apoio da cidade, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e a Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri), que também encaminham pacientes ou fazem solicitações de aparelhos.
Além de Bauru, o hospital atende outros 38 municípios da região englobados pela DIR-10. De acordo com o caso, o próprio hospital providencia o aparelho. Caso contrário, é feito processo licitatório pela DIR-10.
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Cadeira de rodas
Desde que o Hospital Estadual (HE) começou a atender os portadores de deficiência física, em julho de 2004, cerca de 250 pacientes já receberam equipamentos até julho deste ano. Outros 87 deficientes serão atendidos até o fim deste mês. Destes, cerca de 40 já receberam o equipamento, oito deles ontem à tarde. “Aguardei um ano. Isso é um alívio. A outra cadeira de rodas era muito pesada e era grande para ela”, conta a dona de casa Ester Lopes de Souza, mãe de Camila de Souza, portadora de paralisia cerebral. “Veio em boa hora. Levou mais de um ano, mas agora vai durar bastante”, garante a dona de casa Valéria Aparecida Galdêncio, que foi buscar uma cadeira de rodas para a sobrinha, Ana Cláudia Bordim.
Nesta etapa da entrega, pacientes de até 18 anos e maiores de 65 anos tiveram prioridade. Além deles, casos urgentes, como pós-operatórios e pacientes em processo de reabilitação também são atendidos primeiro. Para garantir a qualidade do equipamento, os profissionais do HE oferecem manutenção gratuita e orientação de cuidados. Com a medida, a coordenadora estima ser possível reduzir a demanda por investimentos em 30%. “É uma economia muito grande e assim não seriam necessários novos equipamentos”, acredita.
De acordo com a coordenadora da unidade de reabilitação, as cadeiras de rodas e de banho são as principais necessidades do hospital. Gameiro estima que seriam necessárias 20 cadeiras por mês para atender a demanda. Hoje o atendimento é centralizado no ambulatório da unidade, em funcionamento desde maio deste ano. Cerca de 100 pacientes são atendidos por mês.