Igaraçu do Tietê - Quatro presos fugiram ontem de madrugada da cadeia pública de Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru). Eles cavaram um túnel de, aproximadamente, cinco metros de extensão ligando o banheiro da cela a terreno do lado externo da cadeia. O terreno é cercado por residências, o que obrigou os detentos a entrar em quintais da vizinhança antes de chegarem à rua. Até o fim da tarde de ontem, nenhum dos fugitivos havia sido recapturado.
Entre os que escaparam estão Ezequias Ferliani Bueno, 35 anos, de Jaú, acusado de um homicídio praticado no último mês de abril; Daniel Oséias da Silva, 22 anos, de Lençóis Paulista, preso por roubo em Barra Bonita, em janeiro deste ano; Cristiano José de Assis, 35 anos, de Bauru, preso por furto de veículos em Jaú, no mês de janeiro; e o peruano Henry Seminário Cosar, 24 anos, de São Paulo, preso em outubro do ano passado por furto praticado em Jaú.
Dos quatro fugitivos, Cosar é o único condenado. Ele cumpre pena de seis anos. Segundo o delegado José Carlos Nunes, de Igaraçu do Tietê, caso ele seja recapturado, perderá todos os benefícios que eventualmente tenha obtido nesse tempo que esteve preso. Nunes informou também que Assis já esteve detido em Bauru, em 2002, por tráfico de entorpecentes.
Foi aberto inquérito criminal e administrativo para apurar a fuga de ontem. As investigações serão comandadas pelo delegado assistente da Seccional de Jaú, Luciano José Prado de Almeida Pacheco.
Ontem mesmo, ele conversou com os presos que permaneceram na cela e percebeu que o trabalho não vai ser nada fácil. “Eles não falam. Dizem que não viram e não sabem de nada”, contou o delegado.
Dos 11 detentos que estavam na cela onde foi cavado o túnel, sete decidiram permanecer na cadeia. A terra, na medida em que era retirada, foi sendo armazenada no banheiro pelos detentos. A movimentação não teria sido notada pelos carcereiros. O carcereiro de plantão descobriu a fuga por volta das 3h de ontem.
A cela foi interditada e os presos que não fugiram foram remanejados para outras celas. Eles devem permanecer lá até que o buraco seja tapado e eles possam voltar. O conserto da cela deve ser feito pela prefeitura da cidade.
A cadeia de Igaraçu tinha ontem à tarde 78 presos. Trinta a mais do que sua capacidade normal. De acordo com o delegado Luciano, as transferências para outras unidades prisionais como Centro de Detenção Provisória (CDP), Centro de Ressocialização (CR) e penitenciárias vêm sendo feitas normalmente. “Não com a pressa que a gente queria, mas estamos sendo atendidos”, comentou.
O delegado assistente disse que espera concluir os inquéritos o mais rápido possível. Inicialmente, o prazo é de 30 dias, mas pode ser prorrogado por igual período, caso seja necessário.
Mão única
Após a interdição da cadeia de Barra Bonita, em março deste ano, os presos da região de Jaú são todos encaminhados para a cadeia de Igaraçu do Tietê, o que acaba tornando o local cada vez mais lotado.
Essa rotina deve continuar até pelo menos os dois próximos meses. Esse é o prazo previsto para a reabertura da cadeia da Barra, segundo informou o delegado Claudemir Ferracini.
A cadeia foi interditada depois que presos danificaram as celas. Eles se rebelaram após a descoberta de um plano de fuga. Na ocasião, dois presos foram mortos a golpes de estilete e nove funcionários foram mantidos reféns.
A cadeia, também com capacidade para 48 presos, estava com 81 no dia da rebelião. Se a superlotação na cadeia de Igaraçu é um reflexo direto do fechamento da cadeia da Barra, a superlotação em Barra Bonita também é uma conseqüência do fechamento definitivo da cadeia de Jaú, em abril do ano passado. Desde 2000, pelo menos outras três fugas foram registradas em Igaraçu do Tietê.