Piratininga - Um grupo de trabalhadores sem-terra fechou, ontem de manhã, uma estrada que dá acesso ao horto florestal localizado no distrito de Brasília Paulista, em Piratininga (13 quilômetros de Bauru).
Foi a maneira que eles encontraram para protestar contra a decisão da empresa de celulose que explora a área onde o grupo está acampado desde 1999. Depois de algumas horas de conversa, inclusive com a participação do delegado Paulo Calil, de Piratininga, os sem-terra decidiram liberar a estrada, que é utilizada por funcionários que prestam serviço à empresa.
O coordenador José Matheus, 56 anos, um dos líderes dos sem-terra acampados em Brasília Paulista, disse que, na época da ocupação do horto, em 1999, a diretoria da empresa teria declarado por escrito que, se o grupo conseguisse junto ao governo do Estado o desmembramento da área ocupada, a empresa não se oporia.
O processo estaria prestes a ser concretizado, mas a diretoria teria recuado em seu posicionamento e não estaria mais de acordo com a fixação dos sem-terra no local. A área pertence ao governo do Estado e está arrendada para a empresa. O contrato de arrendamento terminará em 2007.
Em conversa com o delegado, o coordenador do movimento decidiu suspender o bloqueio da estrada e acionar a Justiça para que o documento assinado em 1999 pela empresa seja respeitado.
Ontem mesmo, Matheus foi a Promissão, acompanhado por outro coordenador, Sebastião Vicente, 51 anos, buscar ajuda do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Eles querem redigir um documento e encaminhá-lo ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que, segundo eles, teria interesse em usar a área ocupada para a reforma agrária.
“Juntando esse documento com o documento assinado pelo diretor (da empresa), qualquer juiz vai dar causa ganha pra gente”, acredita.
Segundo Matheus, o grupo acampado no horto do distrito de Brasília Paulista não pertence a nenhum movimento de sem-terra. “Se você fica restrito a determinado movimento, simplesmente você vai ter de fazer o que ele mandar. E nós não aceitamos isso”, justificou.
Estão acampadas no horto cerca de 58 famílias, que vieram de diferentes cidades do Estado de São Paulo e até mesmo de outros Estados.