09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Profissão de político


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Possivelmente, não existe maior unanimidade nacional que a vergonhosa limitação do teto de aposentadoria fixado para qualquer profissão. Recentemente, vimos aumentado o número de anos de trabalho para aposentar um trabalhador, além de extinguir aposentadorias especiais onde a periculosidade é maior. Nunca se falou das várias profissões onde o vergonhoso salário pago obriga os profissionais dessas áreas a trabalhar em dois, três ou mais empregos para auferirem uma remuneração que permita a manutenção de um nível de vida compatível com as expectativas da família e também da própria sociedade. Isso, porém, não dá a esses trabalhadores nenhum benefício que encurte o número de anos necessários para ter direito de se aposentar. O que acontece a quem se submete ao estressante labor de 80, 100 ou mais horas semanais, penalizado ainda com uma alíquota de imposto de renda acima de 27% que já está sendo dada como definitiva, segundo lei aprovada, só podendo ser modificada se outro projeto de lei se fizer e for aprovado anulando o efeito daquela em vigor atualmente.

Com tantos escândalos envolvendo a classe política, bem como os juízes (Lalau, por exemplo), o brasileiro nem se dá conta de que a melhor profissão do País é, indubitavelmente, a profissão político. Mesmo que se fale em políticos ilibados é vergonhoso um trabalhador aposentar-se após 35 anos de trabalho, enquanto um político se aposenta após oito anos de vida política (ou quatro anos de política e mais quatro anos de contribuição mesmo não tendo sido reeleito). Com tanta pouca vergonha político-econômica esperando por ser saneada, fica difícil imaginar quando se fará uma reforma política verdadeira, ampla e irrestrita, corrigindo tantas possibilidades de corrupção que a legislação vigente propicia e quando se fará com que o político venha a se aposentar com 35 anos de vida política ou que nunca se aposente como político. Por que não se criar uma lei onde o político conte os anos de vida política somados aos anos de sua profissão real e ao fim disso tenha a mesma aposentadoria que qualquer outro trabalhador desse país? Cria-se e extingue-se tanta coisa, por que não se extinguir a profissão político?

Por que o povo brasileiro não pára de reclamar nos botecos, locais de trabalho, rodinhas na rua, nas praças e passa a se mobilizar dentro de suas agremiações, sindicatos e grupos de trabalho, fazendo nascer uma consciência política verdadeira e forte, que os conduza a encarar a verdadeira responsabilidade implícita em seu voto e no seu direito de exigir dos políticos que ajudou a eleger, o cumprimento da obrigação inerente ao cargo e, principalmente, as promessas de campanha.

Já passou da hora da sociedade, via OAB ou qualquer outra entidade, mobilizar-se e, num referendo popular, forçar a aprovação de uma lei que obrigue os candidatos a registrar em cartório os seus compromissos assumidos com os eleitores, acrescidos de dispositivos que levem à cassação imediata ou automática dos mandatos daqueles que ultrapassassem limites claramente preestabelecidos como o máximo tolerável do descumprimento de suas promessas de campanha. Até quando iremos assistir a tantos desmandos cujos únicos verdadeiros beneficiados são os meios de comunicação que conseguem os mais elevados níveis de audiência quando evisceram a podridão das entranhas do nosso meio político?

Comemoramos (comemoramos mesmo?) o dia da Independência do Brasil. Será que somos realmente independentes ou somos prisioneiros da corrupção e por extensão dos mandos e desmandos a que o País se submete ao FMI ou aos EUA? Porque, quanto mais devemos, mais empréstimos o País faz, maiores as possibilidades de se distribuir mensalões, semanões, sessões de valores “extraordinariões”, visando resolver em poucos dias projetos que foram empurrados com a barriga durante meses ou foram de forma propositada obstruídos pelos artifícios deliberadamente criados para que “os fins justifiquem os meios” e o assalto aos cofres públicos se revistam de legalidade vergonhosamente aprovada em manobras cujo único objetivo foi de legislar em causa própria.

Não dá mais para assistir a tudo isso passivamente. Onde estão os “caras-pintadas” tão entusiastas na cassação de Collor? Sumiram ou não têm a coragem suficiente para admitir que seus candidatos são piores que Collor? Ou será que nem opinião formada tinham? Será que se restringiram a servir ao próprio PT como o que ele sempre acusou os outros políticos de usar: massa de manobra? Acorda brasileiro! A pátria amada espera de seus filhos a construção de sua redenção. Eia, avante brasileiros, sempre avante!

Áureo Antonio Érnica - RG 5.364.772-5