11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Em Bauru, 8 mil disputam 250 vagas

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

As 250 vagas de emprego ofertadas por um hipermercado de Bauru geraram, ontem, uma enorme fila de candidatos e causaram congestionamento no trânsito da avenida Nações Unidas, na rotatória do Jardim Contorno. A empresa recebeu 8 mil currículos para as vagas com salário médio de R$ 415,00 e jornada diária de seis horas.

Segundo estimativas da Polícia Militar, por volta das 10h cerca de 5 mil pessoas cercavam a loja, ainda em construção, numa fila que começou a se formar de madrugada. O hipermercado começou a atender os candidatos às 7h30, terminando a pré-seleção no final da tarde.

A gerente de recursos humanos (RH) do hipermercado, Ivani Andolfato Scavassa Bailomi, informou que, dos 8 mil currículos recebidos, cerca de 2 mil pessoas serão chamadas para entrevista. Ela explica que a loja está em fase de montagem e o quadro de pessoal inclui 17 diferentes funções. Além da exigência de escolaridade mínima de 1.º grau e disponibilidade de horário, quem entregou o currículo deverá apresentar algo mais durante a fase de entrevista. Bailomi lembra que, além da aptidão para a função, o candidato tem que ser comunicativo, disposto e ainda passar um “bom astral”, itens considerados fundamentais para se relacionar com a equipe e com os clientes.

Ela informa que, para o cargo de operador de caixa, a escolaridade mínima é o ensino médio completo. Para as demais colocações, espera-se que a pessoa esteja cursando o ensino médio. “A gente tem critérios, mas analisamos todos os currículos e a pessoa sai informada de tudo.”

Bailomi conta que somente por suas mãos passaram, ontem, cerca de dez currículos de candidatos com formação de nível superior. Ao todo, 20 funcionários da empresa estavam recebendo os currículos, o que deve aumentar o número de candidatos com curso universitário completo ou em andamento. Ontem, às 18h, os selecionadores finalizaram a formação da fila e atenderam apenas quem já estava no local. Quem não for chamado para a entrevista será avisado e terá o currículo incluído em um banco de dados por seis meses.

Trânsito

A disputa acirrada pelas vagas foi deflagrada antes mesmo da pré-seleção. O momento mais difícil foi logo no início da manhã, quando a multidão, ainda em fila organizada, teve que ser retirada da beira da pista da rodovia Marechal Rondon (SP 300), onde poderia acontecer um acidente. O comandante da Base Comunitária Sudoeste, 1.º tenente PM William Carlos Padovini, explica que, no deslocamento das pessoas, houve um início de confusão quando algumas quiseram se aproveitar da situação e conseguir um lugar melhor.

Por volta das 10h30, a fila com vários quarteirões passou a fluir com a intervenção da PM e o aumento do número de pessoas no atendimento aos candidatos. De início, eram cinco atendentes, mas em função da grande procura, a empresa ampliou para 20 pessoas.

Fernanda Cristina da Silva, 31 anos, que chegou ao local às 5h, conta que teve que lutar para manter sua posição na fila. Ela relata que foi empurrada e levou um pisão no dedão do pé direito.

Agarrada a um terço, ela diz que chegou a bater boca com outra mulher para não ficar para trás. “Briguei com fé, coragem e honra. Tem pessoas que já estão trabalhando enquanto outras lutam por um emprego. Isso eu acho errado”, argumenta a mulher, desempregada há dois anos.

Várias pessoas que tentavam uma das colocações oferecidas pela empresa não estão desempregadas, mas buscam outro trabalho para complementar a renda. Rosemeire Aparecida Matos, 27 anos, está trabalhando, mas viu na seleção do hipermercado uma oportunidade de melhorar sua renda. Ela comenta que atua sem garantias trabalhistas, o que gera insegurança. Matos diz que está disposta a aceitar qualquer função. Entretanto, no rápido preenchimento de ficha, ela escolheu disputar a vaga de operadora de caixa, por indicação da selecionadora. A candidata comenta que pesaram para a escolha os cursos de informática que têm no currículo.

O pequeno Leandro, 3 anos, nem pensa ou mesmo tem idade para trabalhar, porém, já enfrentava junto com a mãe, Rita de Cássia, 23 anos, a difícil realidade da busca incerta por uma colocação no mercado de trabalho.

Ela explica que está desempregada há sete meses e que a oportunidade do hipermercado veio na hora certa. “Ele (Leandro) tem que agüentar porque não tem ninguém para ficar com ele. O pai dele trabalha fora de Bauru”, esclarece.