11 de julho de 2026
Geral

Pesquisa indica melhor técnica cirúrgica para tratar fissurados

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de 11 anos de pesquisa, avaliando os resultados de diferentes técnicas cirúrgicas, o Hospital de Reabilitação das Anomalias Craniofaciais (Centrinho/USP), em parceria com a Universidade da Flórida, anunciaram ontem uma descoberta que poderá alterar os protocolos de atendimento e tratamento das fissuras labiopalatais no mundo todo.

Trata-se do Projeto Flórida que, durante mais de uma década, comparou os resultados das duas técnicas cirúrgicas mais utilizadas no mundo para o tratamento das malformações de lábio e céu da boca. Os estudos mostraram que, apesar de apresentarem resultados imediatos semelhantes, uma delas permite uma recuperação significativamente mais eficaz a médio e longo prazos.

De acordo com a fonoaudióloga Maria Inês Pegoraro-Krook, diretora do convênio pelo Centrinho, a pesquisa envolveu 500 bebês fissurados. Metade deles foi tratada com a técnica cirúrgica de Von Langenbeck e a outra metade com a técnica de Furlow.

Ela explica que todos os bebês foram acompanhados e avaliados periodicamente por uma equipe multidisciplinar. O objetivo era garantir que todos recebessem os mesmos estímulos (psicológicos, fonoaudiológicos e nutricionais). Os resultados foram comparados seis anos depois das cirurgias.

O fonoaudiólogo William Williams, da Universidade da Flórida, informa que a técnica de Furlow mostrou-se significativamente mais eficiente que a de Von Langenbeck. “Porque permitiu um melhor desenvolvimento orofacial dos pacientes”, explica.

A pesquisadora brasileira afirma que, diante desses resultados, a técnica de Furlow deverá ser proclamada a primeira opção para esse tipo de tratamento. “As incisões em ‘z’ permitem um alongamento maior do palato e isso permite um desenvolvimento orofacial mais adequado, diminuindo as seqüelas do paciente”, reforça.

Segundo ela, o próprio Centrinho deverá alterar seu protocolo de tratamento, adotando a técnica de Furlow como primeira opção cirúrgica. “Mas isso deverá levar alguns meses, porque as equipes cirúrgicas precisam ser capacitadas para realizar o procedimento, que é mais demorado e mais complicado que o de Von Langenbeck”, esclarece.

Ela explica que enquanto a técnica mais simples demora cerca de 1,5 hora, a técnica de Furlow pode levar até 2,5 horas, em média. “Mas metade dos nossos cirurgiões já domina o procedimento. Acredito que em breve todos estejam aptos a executá-lo”, acrescenta.

Williams destaca que a comparação entre as técnicas foi apenas o primeiro grande resultado da pesquisa. “Temos vários objetivos secundários nesta pesquisa. Por isso, o Projeto Flórida continuará por mais cinco anos, quando vamos acompanhar o crescimento facial dessas crianças”, informa.

O estudo é financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, sigla em inglês) e nesta segunda etapa deverá avaliar, também formas de prevenir ou diminuir problemas psicossociais decorrentes da fala nasalisada (fanhosa).