08 de julho de 2026
Polícia

Lombada eletrônica vai multar motos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O motociclista que costuma passar pelas lombadas eletrônicas em Bauru em velocidade acima da permitida para a via sem correr o risco de ser autuado terá de mudar de atitude se não quiser pagar multa e até perder a carteira de habilitação. É que as três lombadas eletrônicas instaladas na cidade, que até agora aferiam apenas a velocidade de veículos de quatro rodas, vão passar a medir a velocidade desenvolvida pelas motos. As que estiverem transitando em alta velocidade terão a placa fotografada para a emissão da multa.

A fiscalização da velocidade das motos será possível porque as lombadas serão trocadas por outras mais modernas, explica Renato Purini, presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Uma delas, a instalada na quadra 21 da avenida Nações Unidas, sentido Centro/Bairro, foi retirada ontem pela manhã. No local, será instalada outra, que passará a funcionar após ser aferida pelo Instituto Nacional de Metrologia (INMetro).

“A outra já será instalada, mas ainda não sabemos quando começará a operar porque isso depende da aferição do INMetro”, conta Purini. Além de ter condições técnicas para fotografar placa de moto, localizada na traseira do veículo, a nova lombada gera fotografia de melhor qualidade, tem visor colorido, é menor e mais baixa em comparação com as que estão em funcionamento, segundo o presidente da Emdurb.

Para ele, a fiscalização da velocidade das motos é oportuna em função da incidência de acidentes de trânsito com este tipo de veículo em Bauru. “É alto o número de acidentes com moto, inclusive com mortes. Também estamos estudando uma campanha educativa para este público”, comenta.

De acordo com Purini, a troca das lombadas já estava prevista no contrato firmado entre a Emdurb e a empresa que opera os aparelhos eletrônicos de controle da velocidade em Bauru - radares e lombadas - sem gastos extras aos cofres municipais. A Emdurb paga à empresa R$ 5.534,74 por mês por cada uma das três lombadas em funcionamento e R$ 6.532,81 por mês para cada um dos dois radares (são 11 aparelhos, mas eles funcionam em rodízio, com apenas dois ligados por vez).

A notícia de que poderá ser multado ao passar nas lombadas preocupa o mototaxista Luciano Galano, 29 anos, e seis de profissão. “A gente tem que andar um pouco mais rápido porque o passageiro sempre está com pressa. Vou ficar esperto e reduzir a velocidade, porque não dá para ficar pagando multa”, ressalta.

Galano, que ganha entre R$ 30,00 e R$ 40,00 por dia, afirma que a maioria de seus colegas não teria condições de pagar multas. “Tem colega que, se for pagar multa, tem que deixar de colocar comida em casa. Eu já fui multado uma vez porque o lacre da placa estava solto e não foi fácil”, relata.

O professor Carlos Alexandre de Oliveira Sá, que usa moto para trabalhar, lembra que, além de dos valores das multas, há a pontuação. “Se eu esquecer da lombada, passar em alta velocidade e for multado, posso perder a carteira. Vou ter que ir ao trabalho de ônibus. Por outro lado, tem motociclista, principalmente entregador de comida à noite, que precisa mesmo ser multado porque abusa da velocidade”, pondera.

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Alternativa

Para tentar evitar que os motociclistas que fazem o serviço de entrega para seu restaurante abusem da velocidade, o comerciante Alberto Nakayana paga por dia trabalhado e não por viagem realizada. Ele conta que, desta forma, também garante a qualidade da mercadoria.

“Quando pagava por entrega, recebi telefonema de cliente reclamando que tinha pedido pizza, não calzone de tanto que a comida chegou amassada”, relata. Nakayana frisa que orienta os dois motociclistas de seu estabelecimento a não correr muito e passar devagar nas lombadas.

Para isso, o comerciante afirma que costuma dar ao cliente prazo de entrega com folga, para que os mototaxistas não precisem-se apressar na viagem. “E nunca tivemos acidentes”, completa.