Brasília - O presidente interino da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL), disse que não praticará a “irresponsabilidade total” de abrir processo de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declaração que faz parte da estratégia de tentar vencer resistências do Planalto à sua pretensão de suceder Severino Cavalcanti. “Essa história de que eu mordo não é verdadeira. (...) O único senão é que eu posso, sei lá, recepcionar um pedido de impeachment contra o presidente. Isso é dar ao presidente uma fragilidade tal que ele não tem. E a mim, uma irresponsabilidade total que também não tenho.” Cabe ao presidente da Câmara dar prosseguimento ou arquivar os pedidos de impeachment feitos contra o presidente da República. Severino, por exemplo, arquivou quatro pedidos feitos por cidadãos como um dos últimos atos antes de renunciar.
Nonô reservou o segundo dia no comando da Câmara - como primeiro-vice, ele assume o cargo até as eleições da próxima quarta-feira - para articular sua candidatura, que caminha para reunir o apoio de toda a oposição. O pefelista afirma também possuir a simpatia de vários integrantes de partidos governistas, motivo pelo qual busca afastar a imagem construída nos últimos anos de ferrenho opositor ao Planalto. “O que está vendido aí contra mim é a idéia de que sou o inimigo número um do governo. Circunstância que me honraria muito, mas que não é verdadeira. Mas não posso oferecer um eletroencefalograma como prova, ou um raio-X do crânio para o governo entender o óbvio, que sou um democrata por excelência.”
Sua candidatura já possui o apoio de PFL, PSDB e PPS e deve conseguir, nos próximos dias, a adesão de PDT, PV e Prona. Apesar da interinidade, Nonô já usou o poder em benefício próprio. Ele decidiu que membros da Mesa podem ser candidatos a uma vaga aberta na própria Mesa. Ele já havia estreado no comando com uma decisão polêmica, a de determinar o esvaziamento das galerias do plenário após a renúncia de Severino, o que causou conflito entre seguranças e manifestantes. Nonô admitiu que pode ter havido excesso da segurança.