11 de julho de 2026
Nacional

Valério era ‘facilitador' do planalto, diz banqueira

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Em depoimento ontem ao Conselho de Ética, a presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, classificou como “absolutamente anormal” o fato de a secretária do publicitário Marcos Valério, Simone Vasconcelos, utilizar as dependências da agência de Brasília para fazer pagamento em dinheiro a pessoas indicadas por Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT.

Rabello foi convidada para depor no Conselho por ser testemunha de acusação, indicada pelo PTB, no processo contra o deputado José Dirceu (PT-SP). “Acho normal atender clientes em salas separadas. Mas, sem dúvida, é absolutamente anormal uma pessoa que não é funcionária da instituição usar as dependências de um banco para efetuar pagamentos. Eu jamais dei autorização para Simone Vasconcelos ou qualquer outra pessoa fazer isso”, disse Kátia Rabello.

Ainda em seu depoimento, Kátia Rabello disse que Marcos Valério era um “facilitador” de negócios para o banco no governo porque tinha forte ligação com petistas e com o governo federal, como já havia dito em depoimento na CPI dos Correios. “Foi exatamente por isso que Marcos Valério intermediou três contatos entre executivos do Rural com o então ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu.” O publicitário foi apontado pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do suposto “mensalão”.

Em um dos encontros, de acordo com Kátia Rabello, os executivos do Rural e Dirceu discutiram a liquidação judicial do Banco Mercantil de Pernambuco. “José Dirceu apenas ouviu os comentários dos nossos diretores e não fez nenhuma promessa.” Nos outros dois encontros, segundo Kátia Rabello, José Dirceu falou amenidades e de economia.

De acordo com a presidente do Rural, nos encontros com o deputado José Dirceu “ninguém falou sobre o empréstimo contraído pelo PT junto à instituição.” “O valor foi pequeno (R$ 3 milhões) e o contrato não passou por mim. Eu nem sabia deste empréstimo.” Ao ser indagada se o ex-ministro sabia do empréstimo, a presidente do Banco Rural foi diplomática. “Não posso afirmar se ele sabia ou não do empréstimo. Do meu conhecimento, não, mas não posso falar pelos demais dirigentes do Banco Rural.”

Kátia Rabello também disse ter encontrado “quatro ou cinco vezes com Delúbio Soares. “Foram encontros informais, na maioria das vezes apenas para trocar cumprimentos.” A presidente do Rural disse também que “pode ter acontecido” de alguma unidade do banco no exterior ter depositado na conta Dusseldorf, aberta pelo publicitário Duda Mendonça nas Bahamas. “O que posso falar com segurança é que o Rural não efetuou nenhum depósito, até porque este senhor nunca trabalhou para o banco.”