09 de julho de 2026
Nacional

Chinaglia deixa disputa para a Câmara

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Menos de 24 horas depois de ter sido escolhido candidato do PT a presidente da Câmara, o líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia, desistiu da postulação. Em reunião, líderes e parlamentares das bancadas do PT, PSB e PC do B decidiram apresentar o nome do comunista Aldo Rebelo (SP) para representar parte da base de apoio ao governo.

Desde que foi lançado, Chinaglia passou ontem a ser bombardeado na base aliada, o que levou a uma rediscussão de seu nome e à busca por uma alternativa mais palatável à Casa. Outros setores da base, como o PMDB, o PP e o PL, mantiveram, pelo menos por ora, as suas candidaturas, respectivamente de Michel Temer (SP), Francisco Dornelles (RJ) e João Caldas (AL). Dirigentes dos três partidos estavam na reunião que resultou na escolha de Aldo e preferiram não apoiá-lo.

O PT resistiu a uma articulação do Palácio do Planalto para fechar com o peemedebista Michel Temer, escolhido candidato ontem pela bancada do PMDB. O PT queria um compromisso de todo o PMDB para apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eventual candidatura à reeleição em 2006, além de fechar alianças em alguns Estados.

Foi exigência para melar um entendimento, pois nem a ala governista está disposta a apoiar Lula no cenário atual, no qual perdeu cacife político por causa da crise do “mensalão”. Permanece ainda um cenário de confusão na Câmara, onde há diversas candidaturas, algumas oficializadas, outras não.

Chinaglia tinha um forte problema: a cara do governo. Avalia-se que Aldo transitará melhor. “O Chinaglia tem dificuldade de unir a base aliada, por ser do PT e líder do governo. A candidatura dele polariza demais com a oposição, e isso é um risco”, disse o líder do PSB, Renato Casagrande (ES). O temor dos governistas foi que a opção por Chinaglia levasse setores de PL, PTB, PP e PMDB a apoiar candidatos mais independentes em relação a Lula.

O cenário de fragmentação política ainda favorece o surgimento de algum nome que herde os votos do baixo clero - grupo de deputados sem peso político - que elegeram Severino em fevereiro. Essa divisão, pior ainda na avaliação do governo, favorece a candidatura do oposicionista José Thomaz Nonô (PFL-AL), presidente interino da Câmara. Nonô poderia ganhar impulso. “O PTB não vota em ninguém do PT. Não é o momento deles. O PT deveria dar oportunidade para um nome da base aliada”, disse o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE), que comanda uma bancada de 45 deputados.

O terceiro posto mais importante da República ficou vago com a renúncia de Severino, anteontem, cusado de receber propina do concessionário de um restaurante da Câmara, o que ele nega com veemência.

Já existem vários candidatos de partidos que, ao menos na teoria, pertencem à base aliada: além de Dornelles e Temer, desejam ser Ciro Nogueira (PP-PI), Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) e João Caldas (PL-AL). Pela oposição, há Nonô, Alceu Collares (PDT-RS) e Jair Bolsonaro (PP-RJ). No total, entre candidatos declarados e cogitados, já são 13 nomes. Inscrições serão aceitas até as 18h da terça-feira.