09 de julho de 2026
Articulistas

Culpados? Ou incompetentes?


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Depois de quatro meses de muitas denúncias de corrupção que, de uma forma ou outra, atingem diretamente o presidente da República, seus ministros e funcionários mais categorizados, parlamentares da base aliada, além dos dirigentes do partido dos detentores do poder, chega-se à conclusão que a população, principalmente os 53 milhões de brasileiros que elegeram Luiz Inácio da Silva, foram enganados. Afinal, nos transformamos no país do “eu não sabia”, pois as denúncias se confirmam, a dinheirama se espalha por todo lado, mas todos os envolvidos negam a autoria dos delitos. Delúbio Soares, um ilustre desconhecido até pouco tempo, se transforma na “eminência parda”, o “laranja” mais bem sucedido do país. Todas as falcatruas que aparecem são debitadas na conta do Delúbio, só que o dinheiro não aparece. Um esquema muito bem planejado de tomada do poder.

Embora em queda livre nas recentes pesquisas, o governo procura minimizar a grave crise política que vivemos, mas a população entristecida sente que sua confiança foi traída e a esperança de milhões de brasileiros foi roubada; todos acreditavam nas incontáveis promessas de melhores dias. A ética, o bem mais precioso e alardeado tanto pelo PT como pelo presidente Lula, se esvaiu nos últimos tempos depois de tantas denúncias de corrupção. E essas informações já chegaram à população, pois as últimas pesquisas indicam que aproximadamente 50% dos brasileiros já entendem que a corrupção no governo atual é maior do que no anterior; quase 30% dizem não acreditar mais nos discursos do presidente e, mais importante, metade da população, ou seja 49,5%, entende que Lula tinha conhecimento dos atos de corrupção praticados pelo PT, sem contar que mais de 45% do eleitorado acham que Lula não tem agido adequadamente em relação à corrupção. Mas, para o presidente Lula, “as pesquisas não refletem o que você pode fazer pelo governo”.

É só esperar para ver, pois as eleições do próximo ano deverão trazer muitas surpresas e, com todas as denúncias atingindo principalmente o partido do governo, deveremos esperar o surgimento de novas lideranças, honestas e decentes e, finalmente, nos livrarmos deste péssimo ano político.

Enganam-se aqueles que acham que a grave crise política que atravessamos se encerrará com a cassação de duas dezenas de deputados e a implosão de alguns partidos. A população está atenta, assistindo a tudo em tempo real, fazendo sua avaliação minuto-a-minuto; a imprensa brasileira, que já sofreu ameaças de mordaça, cumpre seu papel e dedica espaços generosos para acompanhar a crise. O furacão ainda não passou e ninguém sabe seu destino nem a sua capacidade de destruição. Não há vencidos ou vencedores, a conta é de toda a classe política, que está sob suspeição e desacreditada.

Impõem-se uma reforma política urgente com um novo ordenamento, pois é uma exigência da sociedade. É necessário que se faça uma autocrítica. É hora da reconstituição política nacional. Chega de descobrirmos Severinos e não me venham com essa história que as altas autoridades da Republica não sabiam de nada. Isso não pega. Não cola!

O autor, Benjamin Ribeiro da Silva, é professor, diretor-tesoureiro do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo e vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares - e-mail Benjamin@einstein24h.com.br