09 de julho de 2026
Nacional

Parlamentares rejeitam a proposta de arquivamento de processos de cassação

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Integrantes da CPI dos Correios e do Conselho de Ética criticaram ontem a posição do presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), em defender que os casos dos 16 parlamentares apontados como beneficiários do suposto esquema do “mensalão” sejam analisados individualmente e pelo menos cinco deles sejam arquivados pela Mesa Diretora.

Izar citou ontem o nome de cinco deputados contra os quais, na sua avaliação, não há provas que os vinculem diretamente ao esquema de repasse de dinheiro de caixa dois do PT e, portanto, deveriam ser arquivados pela Mesa por recomendação da Corregedoria. São eles: Pedro Henry (PP-MT), Professor Luizinho (PT-SP), Wanderval dos Santos (PL-SP), Roberto Brant (PFL-MG) e Sandro Mabel (PL-GO).

Mabel, aliás, já enfrenta processo de cassação em curso no Conselho de Ética. “Acho que ele incorreu no erro ao fazer juízo de valor como presidente do Conselho, (dizer) se tem provas suficientes ou não, fez exatamente o que eu não quis fazer no relatório”, afirmou o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), que assinou o parecer listando os 16 deputados - além de Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Valdemar Costa Neto (PL-SP), que renunciaram ao mandato.

“Quem ler o meu relatório vai ver que eu esclareço justamente para não incorrer nesse erro, porque o fato de eu pensar de uma maneira, achar que uma pessoa deve ser absolvida, não significa que outro pense da mesma forma. Aquilo que para mim pode parecer irrelevante, que não tem força nenhuma, para outro membro pode parecer relevante”, completou Serraglio.

Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), subrelator da CPI, a afirmação de Izar foi “equivocada” e revela “uma disputa com a Corregedoria”. “Uma declaração dessas pode parecer uma tentativa de contenção”, disse.

O corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), que conduz uma sindicância encarregada de ouvir a defesa dos deputados acusados, respondeu diretamente à reclamação de Izar sobre a responsabilidade de a Corregedoria arquivar alguns casos. “Essa polêmica não leva a nada, acho que tem que parar um pouco e cada um fazer o seu trabalho, é isso que estou tentando fazer”, disse Ciro Nogueira.

O quarto-secretário da Mesa, João Caldas (PL-AL), ligado ao ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), ironizou a declaração do presidente do Conselho: “O deputado Ricardo Izar defende o arquivamento de cinco processos, só quem não podia falar (em arquivamento) era o Severino”.

Também houve reação à posição de Izar entre os integrantes do próprio Conselho, que apontaram “prejulgamento” do petebista. “Fico surpreso porque o Conselho de Ética é um colegiado, não pode haver prejulgamentos. Ele se precipitou de alguma maneira. Certamente haverá uma questão de ordem para indagá-lo porque se antecipou”, disse Chico Alencar (PT-RJ).

Falta de provas

O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), reafirmou ontem, em nota, que “carecem de provas algumas denúncias oferecidas” contra alguns dos 16 deputados acusados de envolvimento no escândalo do “mensalão”, mas rechaçou as críticas de que esteja se “antecipando o julgamento de quem quer que seja”. “Gostaria de esclarecer que, pelos comentários sobre tais investigações na Corregedoria (da Câmara), é voz corrente que, até o momento, carecem de provas algumas denúncias oferecidas”, afirmou Izar.

O presidente do conselho não apontou, entretanto, os nomes dos cinco deputados citados por ele em entrevista à “Folha de S.Paulo”, tratados na nota como “alguns casos pontuais”. Diz apenas que os nomes foram listados “em comentários não oficiais” durante “conversa informal com alguns jornalistas”.