08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

36 HORAS PARA VIVER


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Até quando iremos assistir passivamente ao “espetáculo do crescimento” no que diz respeito aos índices de desemprego? O governo “lulês”, em promessa eleitoral, garantiu que as cifras do trabalho formal iriam aumentar. Infelizmente, na prática, não é o que observamos. Mas quais são os motivos dessa crescente ordem de desemprego e desestabilidade no mercado de trabalho? Todos sabemos que o furacão do desemprego chegou ao mundo com carga máxima. Ainda sim, o governo parece imobilizado por uma política de contenção orçamentária que pouco pode fazer para reduzir esta catástrofe social. Os programas emergenciais de apoio, por exemplo, por mais indispensáveis que sejam, não atingem o “olho” desse agente impetuoso. Por outro lado, sabemos que o emprego não é mais confortável como no passado, aquele que durava por toda vida útil e exigia pouco do funcionário. A economia globalizada da última década, principalmente, pôs contra a parede, empresas lotadas de mão-de-obra, habituados ao padrão oito-às-cinco. Laçados numa competição feroz, adotaram a prática do melhor resultado ao menor custo possível. Instauraram, então, a terceirização, a reengenharia - processos que levam à redução de pessoal. E quem fica tem obrigações aumentadas e passa a trabalhar muito mais, não só para dar conta do recado como para não perder a vaga. Quem sai, procura alternativas menos rentáveis e mais cansativas ou entra para lista de desempregado.

Contudo, para driblar a ocupação da maior fatia da vida de seus funcionários, as empresas estão virando uma extensão de sua vida particular. Dentro do escritório, ou em áreas adjacentes, é possível ter acesso a atividades extracurriculares: inglês, judô, artesanato, pintura, entre outras. Mas será que, com tanto trabalho, sobra tempo para a realização dessas atividades? O fato das pessoas estarem trabalhando mais é incontestável. E elas assim o fazem porque querem aumentar o seu poder de compra. Uma das razões dessa febre consumista é a presença atuante da mídia, cuja força de sedução impõe aos trabalhadores desejos e valores supérfluos. Mas não é só o esforço para manter o emprego que faz com que brasileiros, americanos, asiáticos, etc, trabalhem tanto. Salário, como se sabe, conta muito. E ganhar pouco força as famílias de baixa-renda - que representam a maioria da população - a trabalharem mais.

Quanto maior a desigualdade, maior a jornada. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro era 5,13 salários mínimos em 1991. Em 1999, havia baixado para 4,67. A grande maioria dos trabalhadores brasileiros, que tem baixa qualificação, trabalha muito porque ganha e produz pouco. Outros trabalham muito porque são qualificados e podem ganhar mais pelo tanto que produzem. O resultado é que todo mundo encontra motivos para trabalhar muito. Talvez, se o dia tivesse 36 horas, sobraria tempo para os momentos de lazer serem desfrutados como manda as regras da vida. (Taylle Caroline Barros Machado - estudante - RG 30.013.117-3)