09 de julho de 2026
Nacional

Filme destrincha obra de Mindlin

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Ter à disposição todas as letras jamais forjadas pela mão humana, todos os livros jamais produzidos por suas arcaicas prensas, era o ambicioso sonho de Ptolomeu ao fundar a biblioteca de Alexandria. Mais modesto, mas não menos sonhador, tem sido um brasileiro, milênios mais tarde, a percorrer sebos e freqüentar colecionadores, em busca dos poucos exemplares que verdadeiramente lhe tocam os olhos e a alma.

Trata-se de José Mindlin, cuja biblioteca privada vem aos poucos, como a incendiária Alexandria, convertendo-se em mito a transcender seu tempo. Um brasileiro e uma obra engendrada a custo, durante 87 anos de vida, que sem dúvida valem a homenagem: são ambos tema do documentário “Biblioteca Mindlin: Um Mundo em Páginas”, de Cristina Fonseca.

Na vida de Mindlin, a partir do distante ano de 1931, quando pela primeira vez pôs os pés num sebo, os livros foram pouco a pouco ocupando seu espaço. De início, as paredes da sala de sua ampla casa, na zona sul de São Paulo. Em seguida, um e outro cômodo, as paredes da escada, os corredores. Logo, um espaço montado no jardim. Depois, quando se confirmou que o terreno era pequeno demais para os quase 30 mil livros, duas novas casas alugadas.

Não se trata, entretanto, de uma invasão de livros quaisquer. Diferente da de Alexandria, a biblioteca de Mindlin não prima pela completude ou pela quantidade. Nela, vale a qualidade e abundam as raridades, de antigüidades como os incunábulos - posteriores a Gutenberg, mas anteriores a 1500 - a primeiras versões anotadas por João Guimarães Rosa e Graciliano Ramos.

Atestando-o e relatando suas experiências de freqüentadores da biblioteca, além de dispersando-se em assuntos variados do mundo dos livros e da literatura, Antonio Candido, José Saramago e outros célebres prestam seus depoimentos ao documentário.