Nativa do Peru, a batata agrada gregos e troianos. Ou melhor, brasileiros, americanos e europeus.
Mas essa redonda e gostosa já teve dias de inferno astral, como diria o João Bidu. Na antigüidade, era considerada anticristã e sexualmente impura. O tubérculo que remonta a tempos pré-históricos fazia parte do cerimonial fúnebre dos incas.
Descoberta pelos espanhóis, foi levada à Europa e cultivada na marra já que os camponeses preferiam morrer a plantar o “alimento do diabo”.
A coisa era tão brava que em 1651, na Prússia, Frederico Guilherme ameaçou cortar os narizes e as orelhas dos soldados caso não plantassem a nova comida, capaz de saciar a fome. Uma forma de evitar levantes. Ou seja que os famintos se insurgissem contra a nobreza reinvidicando direitos.
Mas tudo só melhorou quando um cavalheiro francês de nome Parmentier convenceu o rei Luís 16 a autorizar o cultivo nos terrenos do Palácio de Versailles, sob vigilância absoluta dos soldados monarquistas.
Como tudo que é proibido tem gosto diferente, quando chegou a época da colheita os guardas foram estrategicamente retirados à noite. O povo invadiu a roça para roubar as “maçãs da terra” (pomes de terre), como denominaram as batatas desprotegidas.
Assim, o povo foi convencido a comer o pão dos pobres. O rei, feliz, agradeceu a Parmentier pela idéia: Ao vencedor, as batatas!
Hoje, come-se batatas das mais diferentes maneiras: frita à francesa (que, na verdade foi inventada na Bélgica), à maneira alemã, em forma de “chips”; à sautè, cozidas no vapor e passadas na manteiga, em antepastos, em nhoques, etc. e tal.
O mestre da casa, um devorador de livros e de batatas, lembra que “o escritor americano Truman Capote (“A Sangue Frio”) tinha seus luxos calcados na simplicidade. Seu almoço de batata obedecia a certos rituais. Primeiro, levava ao forno uma enorme batata, talhada ao meio onde introduzia sal e alho - envolvida com papel aluminizado”.
Na hora do almoço, as batatas fumegantes eram recheadas com creme de leite e, por cima, caviar Beluga - o mais fresco, enorme e cinzento. E, claro, degustada com pompa e circunstância com garrafas de vodka russa resfriada no congelador. “Dizia Capote que esse frugal almoço alimentava o corpo e a alma”.
Batata rösti
750 g de batata
2 cebolas picadas
150 g de bacon defumado, cortado em tiras
150 ml de óleo
Sal e pimenta-do-reino moída na hora, a gosto
Cozinhe as batatas, com a casca, até meio cozimento. Descasque-as e rale-as num ralador grosso.
Refogue o bacon com a cebola, no óleo. Junte as batatas, refogue-as e tempere-as com sal e pimenta.
Quando formar uma crosta, vire esse “bolo de batata” do outro lado.
Purê de batata
1 kg de batatas
1/3 de xícara de leite
2 colheres (sopa) de manteiga ou margarina
Sal a gosto
Cozinhe as batatas e passe-as pelo espremedor. Numa panela, coloque a batata com o restante dos ingredientes e cozinhe, mexendo sempre, por uns cinco minutos.
Polvilhe cheiro-verde, se quiser.
Janssonsfrestelse
1 kg de batatas descascadas e cortadas em rodelas
2 1/2 colheres (sopa) de margarina
250 g de cebolas cortadas em rodelas finas
20 filés de anchovas
3 colheres (sopa) de farinha de rosca
1,1 litro de creme de leite fresco
Pimenta-do-reino branca a gosto
Deixe as batatas de molho em água fria por alguns minutos. Unte uma fôrma com 1/2 colher de margarina, escorra e enxugue as batatas.
Com parte das rodelas, forre o fundo da fôrma e, por cima, alterne camadas de cebola e de anchovas, terminando com as batatas.
Salpique a pimenta, espalhe o creme de leite e, por cima, a farinha de rosca e a margarina picada. Leve a torta para assar em forno preaquecido por 45 minutos (200ºC).
Baked potatoes
6 batas grandes lavadas e secas
Perfure as batatas em alguns pontos para facilitar a saída do excesso de vapor
Forre uma fôrma refratária com papel absorvente. Coloque as batatas bem separadas nas bordas para que as microondas penetrem por todos os lados. O tempo de cozimento vai de 3 a 5 minutos (1 batata); 5 a 7,5 m (2 batatas); 7 a 10 minutos (3 batatas) e de 10 a 12 minutos (4 batatas).
Vire as batatas no meio do tempo do cozimento. Uma vez cozidas, embrulhe-as em papel alumínio e deixe-as descansar por 15 minutos, aproximadamente, para terminar o cozimento interno.
Sirva cortando uma fenda da batata e recheando-a com o recheio de sua preferência: iogurte com azeite e salsinha; requeijão com atum ou aliche; presunto cozido; frango com catupiry, etc).
*Não ligue o microondas com papel alumínio.
Picadinho com batata
1/2 kg de carne (músculo, acém, etc)
3 colheres de sopa de óleo
2 dentes de alho amassados
1 cebola média picada
2 tomates picados, sem pele nem sementes
1 folha de louro
Sal e pimenta
3 batatas cortadas em pedaços
Limpe e corte a carne em cubinhos de três centímetros, mais ou menos. Aqueça o óleo e doure a carne, mexendo de vez em quando. Junte o alho e a cebola e frite mais um pouco. Acrescente estes ingredientes e refogue por alguns minutos.
Junte a batata e cubra com água. Tampe a panela, abaixe o fogo e deixe cozinhar. Verifique de vez em quando e acrescente mais água, se for preciso, para que o picadinho fique com molho.
Bolinho de batata
1 kg de batatas descascadas, cozidas e passadas no espremedor
Sal a gosto
1 colher (sopa) de margarina
1 ovo
Salsinha a gosto
Óleo para fritar
Misture todos os ingredientes até formar um purê. Frite às colheradas em óleo novo.
Panqueca de batata
4 batatas grandes
1 cebola pequena
1/2 xícara (chá) de leite
Sal
1 ovo batido
2 colheres (sopa) de farinha de trigo
Óleo para fritar
Descasque e lave as batatas cruas. Passe-as pelo ralador, misturando numa vasilha juntamente com o leite. Acrescente a cebola ralada, o ovo, a farinha de trigo e o sal.
Misture bem todos esses ingredientes. Deixe fritar até que fiquem bem douradas dos dois lados e sirva imediatamente.
*Se quiser, recheie a gosto.