08 de julho de 2026
Saúde

Região investe em pesquisa psicodermatológica

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Pesquisadores de Bauru, Marília e Botucatu querem transformar a região num pólo de estudos em psicodermatologia. O objetivo é buscar alternativas de tratamento para doenças cutâneas causadas ou desencadeadas por problemas emocionais. Parte das descobertas será apresentada no próximo sábado, durante o 1.º Encontro de Psicodermatologia do Centro-Oeste Paulista.

A iniciativa começou há cerca de cinco anos, quando o Instituto de Psicologia Junguiano de Bauru e Região criou o Grupo de Estudos e Pesquisas Psicológicas Integradas à Dermatologia (Eppiderm). O grupo ganhou reforços com a adesão de pesquisadores do Instituto Lauro de Souza Lima de Bauru, da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) e da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

De acordo com o dermatologista Antonio Carlos Martelli, a proposta é reunir os vários grupos de pesquisa em um só. “De modo que uns contribuam com as pesquisas dos outros e todos falem a mesma língua num trabalho conjunto”, explica.

“São todos pólos acadêmicos bastante representativos, distribuídos num raio de 200 quilômetros, com um interesse em comum, que é estudar o quanto os aspectos psicológicos interferem nos distúrbios dermatológicos. Resolvemos nos juntar para transformar nossa região em centro de referência nesses estudos”, acrescenta a psicóloga Regina Furigo.

No encontro marcado para o próximo sábado, o grupo vai apresentar alguns dos principais focos da pesquisa científica em psicodermatologia.

Dentre os temas, os que deverão atrair mais a atenção dos participantes são as mesas-redondas. A primeira delas vai discutir os problemas dermatológicos na adolescência. Especialistas deverão explicar as mudanças fisiológicas naturais desta faixa etária e falar sobre a influência da acne entre os jovens, destacando o impacto que as mudanças emocionais desta fase podem ter sobre a saúde da pele.

A outra mesa-redonda vai trazer à discussão um dos temas mais usuais da atualidade: o estresse. Segundo Martelli, a influência da tensão exagerada sobre a saúde humana está mais do que comprovada.

“O estresse é uma condição de luta e fuga. É o estado ouriçado em que o gato fica diante do cachorro. Só que o cachorro vai embora e o gato volta ao normal. Com o ser humano, esse sentido perdura por mais tempo e suas alterações podem irritar a pele”, observa.

Um exemplo muito comum, conforme o médico, é a dermatite seborréica. “O indivíduo estressado libera adrenalina e a adrenalina promove uma produção exagerada de gordura. Esse engorduramento da pele favorece a dermatite”, descreve.

As mesas-redondas serão intercaladas por palestras. O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Antroposófica, Vitor Ferreira da Silva, deverá abordar a importância da boa aparência e da auto-estima para a qualidade de vida no ser humano.

O professor do Departamento de Dermatologia e Radiologia da Unesp de Botucatu, Sílvio Alencar Barros, mostrará como o organismo pode reagir quando alguém está com os “nervos à flor da pele”. E o psicólogo do Instituto Lauro de Souza Lima de Bauru José Ricardo Garcia descreverá como e por que a subjetividade influencia no adoecimento dermatológico.