09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Tarifa de ônibus sobe dia 23 de outubro

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A partir do dia 23 de outubro, as pessoas que utilizam o transporte coletivo em Bauru passarão a desembolsar R$ 0,10 a mais por cada viagem. O valor do passe comum subirá de R$ 1,50 para R$ 1,60 (alta de 6,67%) e, do passe integração, dos atuais R$ 1,90 para R$ 2,00 (aumento de 5,26%). O decreto n.º 10.094, que trata do reajuste, foi publicado no Diário Oficial do Município do último sábado, entrando em vigor 30 dias depois.

A diarista Aparecida de Fátima Oliveira reclama do aumento e diz que, provavelmente, precisará repensar os “passeios” que faz aos finais de semana para visitar as filhas e alguns parentes do parceiro com quem vive.

“Nas casas onde eu trabalho, todos os meus patrões dão passe de ida e volta. Pelo menos até agora, nenhum deles falou que não iria incluir o aumento (da tarifa). O problema é que eu não tenho carro e, de final de semana, vou visitar minhas filhas, que moram longe da minha casa. Para ir do Bauru 1, onde eu moro, até o Santa Edwirges, preciso pegar dois ônibus. Vai pesar no meu orçamento”, diz Fátima.

Segundo ela, em apenas um final de semana chega a gastar R$ 12,00 somente para ir visitar a família e voltar para casa. “Não pretendo abrir mão disso, porque sou teimosa e a família vem em primeiro lugar. Mas talvez eu tenha que economizar em alguma outra coisa para compensar esse aumento do passe”, lamenta.

A dona da casa onde Fátima estava trabalhando ontem, uma professora aposentada que preferiu não divulgar seu nome, diz que o grande problema é que há aumento de preços em todos os setores, enquanto o salário dos aposentados permanece o mesmo há anos.

“Eu não tenho aumento de salário há mais de dez anos. O problema não é só o aumento do passe, isoladamente, é a soma de todos os gastos que a gente tem. Além disso, no caso das empregadas domésticas, não são todos os patrões que pagam o passe, e um aumento como esse pesa muito para elas”, avalia.

Outra diarista, Eloani Mara Aparecido, também critica o reajuste. Numa casa onde moram sete pessoas, a renda mensal da família é de R$ 1.700,00 e todos utilizam o transporte coletivo.

“Eu recebo passe nas casas onde trabalho. Mas o meu filho ‘do meio’, por exemplo, usa dois passes por dia para ir e voltar da escola. No dia-a-dia, infelizmente a gente não tem como abrir mão de usar ônibus, mas certamente esse aumento vai mexer com o nosso orçamento”, diz Eloani.

Para o economista, professor e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) Reinaldo Cafeo, o reajuste da tarifa não deve resultar na dispensa de serviços como o da diarista. Por outro lado, no início pode resultar em mudança de hábitos de algumas pessoas na tentativa de amenizar o impacto do aumento, que ao final de um mês faz uma significativa diferença para quem depende do transporte coletivo.

“Independentemente de quem pagará o reajuste, haverá um impacto financeiro. Pelo valor atual do passe comum (R$ 1,50), contabilizando os 22 dias úteis de um mês chega-se à quantia de R$ 66,00 para uma pessoa ir e voltar do trabalho utilizando dois passes por dia. Com a nova tarifa, esse gasto mensal passará a ser de R$ 70,40”, calcula o economista.

Num exemplo hipotético criado por Cafeo, numa família de quatro pessoas em que o consumo total seja de 88 passes de ônibus por mês (contabilizando dias úteis), o gasto atualmente é de R$ 132,00 (passe comum). Com a tarifa de R$ 1,60, subirá para R$ 140,80.

Na avaliação de Cafeo, de maneira geral as empresas conseguirão absorver o reajuste sem precisar demitir funcionários. Já as prestadoras de serviços “podem ser tentadas a aumentar o seu preço final em torno de 0,5% a 1%”.

“Já para quem paga do seu próprio bolso, pode haver duas reações. A primeira seria a de mudar hábitos, como buscar alternativas para utilizar menos o transporte coletivo. Num segundo momento, há a tendência da acomodação. Ou seja, as pessoas desistem de abrir mão do ônibus e deixam de gastar com outras coisas - como o lazer ou compra de supérfluos - como forma de compensação”, projeta.

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Discussões

As discussões sobre o aumento da tarifa de ônibus começaram oficialmente no dia 12 deste mês, quando as três empresas que operam o sistema de transporte coletivo na cidade protocolaram o pedido de reajuste.

Inicialmente, a planilha de custos elaborada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) a pedido da Transurb (associação que representa as três empresas) apontou que o custo atual do sistema é de R$ 1,64 para o bilhete comum e R$ 2,07 para a integração.

O Conselho de Usuários, contudo, optou por sugerir os valores de R$ 1,60 e R$ 2,00, respectivamente, que no último dia 21 foram aceitos e autorizados pelo prefeito Tuga Angerami (PDT).

Conforme o JC divulgou, a Transurb já havia solicitado reajuste de tarifa em abril, mas o pedido foi negado.