08 de julho de 2026
Nacional

Dólar atinge menor valor desde 2001

Por Fabrício Vieira | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O Banco Central (BC) sinalizou mais uma vez ontem que não está interessado em influenciar a cotação do dólar. Aliada ao forte fluxo de entrada da divisa no País - atestado por novo saldo positivo da balança comercial na quarta semana do mês -, a declaração do BC fez a moeda americana seguir em baixa e fechar em seu menor valor diante do real desde maio de 2001, vendido a R$ 2,251.

A queda do dólar ontem foi de 0,62%. No ano, a desvalorização acumulada diante do real chega aos 15,18%. “O fluxo está muito forte. E o mercado internacional segue tomador de papéis brasileiros”, diz Caio Santos, estrategista do BankBoston. Ou seja, a tendência de entrada de dólares deve prosseguir. Para Santos, um ponto importante é o resultado da balança comercial, que segue forte. “Isso mostra que, por enquanto, a apreciação do real não foi sentida de forma expressiva pela balança.”

Um dos argumentos dos que afirmam que a valorização do real já foi longe demais, e que justificaria uma intervenção do BC para contê-la, é o de que a depreciação do dólar prejudica a balança comercial. Isso porquê estimularia as importações e desestimularia as exportações. O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse ontem que a autoridade monetária não pretende direcionar nem influenciar o câmbio.

A oferta de dólares no mercado doméstico tem superado a procura há algum tempo. Com as recentes captações de recursos fechadas pelo setor privado no Exterior e a continuidade dos saldos positivos da balança, a tendência é a de a entrada de dólares seguir significativa. “Com o volume grande de entrada atual, ficaria até difícil para o BC, se assim quisesse, tentar segurar o dólar”, diz Santos, do BankBoston.

João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pionner, diz que a taxa de ontem do dólar servirá de base para a liquidação dos US$ 1,5 bilhão em títulos atrelados ao real que o Tesouro Nacional emitiu no Exterior na semana passada. “Por isso, mais do que nunca, o BC não tinha interesse em aparecer no mercado ontem. Era mais interessante que o real se apreciasse mesmo.”

O risco-país brasileiro também recuou para níveis ainda mais baixos. O indicador fechou ontem em queda de 1,67%, a 353 pontos, menor patamar desde outubro de 1997. A pesquisa semanal feita pelo BC junto a instituições financeiras também deu sua colaboração para o dia tranqüilo do mercado. A previsão dos bancos para a inflação acumulada nos próximos 12 meses recuou de 4,77% na pesquisa anterior para 4,74%, abaixo da meta do BC, de 5,1%.

No caso do câmbio, as instituições reviram novamente para baixo suas expectativas para o fim do ano. A previsão mediana mostra o dólar a R$ 2,40 no fim do ano - cotação 6,62% acima do fechamento de ontem. Há um mês, a previsão era de que o dólar estaria a R$ 2,48 no fim de 2005.

Embolsando ganhos

Somente a Bovespa não teve um dia bom, fechando em baixa e quebrando a série de recordes de pontuação batidos na semana passada. No pregão de ontem, o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, encerrou com uma queda de 0,49%. Na semana passada, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou significativa valorização, de 4,96%.

Dessa forma, analistas acham normal que haja venda de ações para que os investidores embolsem os lucros recentemente acumulados. A ação preferencial da Companhia Siderúrgica Tubarão, por exemplo, que teve valorização de 10,73% na semana passada, encerrou o pregão de hoje com perdas de 3,93%.