Rio - Cerca de 9 mil litros do óleo cancerígeno ascarel desapareceram do prédio onde funcionava a antiga sede do “Jornal do Brasil”, no bairro do Caju (zona portuária do Rio de Janeiro). A descoberta foi feita ontem por técnicos da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), que receberam uma denúncia anônima sobre o sumiço do material. O edifício está abandonado há pelo menos três anos.
Após realizar uma vistoria no local, a Feema encontrou 2 mil litros da substância em transformadores de energia elétrica. O material, segundo a Feema, terá que ser retirado do prédio porque ali funcionará, em breve, a nova sede do Instituto Nacional de Traumo-Ortopedia (Into). A Feema diz não ter informações sobre o destino dos 9 mil litros de ascarel.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Carlos Minc (PT) declarou que, além do roubo do material, foi constatado também um vazamento do óleo para fora do prédio. O fato, de acordo com ele, pode ser grave porque o edifício fica às margens da baía de Guanabara. Para ele, o sumiço do óleo pode gerar a pior crise ambiental no Estado.
“Estamos vivendo uma potencial crise de saúde pública, um novo césio 137. O óleo pode ter sido deixado no solo, contaminando o lençol freático, ou entornado na baía de Guanabara, o que seria o maior desastre ambiental no Rio de Janeiro. Também pode ter sido vendido como óleo queimado em um posto de gasolina, ou pior, pode estar sendo usado para fritar alimentos”, reclamou.
O ascarel foi proibido no Brasil a partir da Constituição de 1988. O óleo é contagioso e pode causar câncer do fígado, baço e rim.