O serviço “Exporta Fácil” oferecido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) registrou, de janeiro a julho deste ano, crescimento de 15% nos valores exportados por empresas da região de Bauru na comparação com o mesmo período do ano passado. Os principais segmentos que utilizam o serviço são o de bijuterias, utensílios domésticos plásticos, produtos ortopédicos, componentes de bateria, vestuário e calçados. Os valores não foram divulgados pelos Correios.
Criado em 2000, o Exporta Fácil foi desenvolvido para facilitar o envio de mercadorias para o Exterior e pode ser utilizado por empresas de todos os portes. De acordo com o gerente operacional de encomendas dos Correios em Bauru, Flávio Edson Marques Lemos, a utilização desse serviço é limitada a cargas com peso de até 30 quilos ou valor de US$ 10 mil, que podem ser enviadas para 217 países.
“Se a empresa quiser exportar um volume acima disso, basta fracionar a carga. O custo administrativo do Exporta Fácil é bem inferior ao dos outros meios utilizados para enviar mercadorias a outros países. Por esta via, o empresário precisa preencher um único formulário, que já reúne todas as informações necessárias para o despacho dos produtos. A utilização do serviço vem aumentando ano a ano”, destaca Lemos.
A assistente de comércio exterior de uma empresa fabricante de utensílios plásticos de Bauru, Manira Haddad, diz que o serviço dos Correios tem sido bastante utilizado para o envio de mostruários a clientes estrangeiros da companhia, bem como para potenciais compradores.
“Ao longo do primeiro semestre deste ano, a empresa lançou várias linhas de produtos. Então, nós aumentamos a utilização do Exporta Fácil para apresentar essas novidades ao mercado externo. Atualmente, nós exportamos para 31 países, entre eles Argentina, Estados Unidos, Costa Rica e vários países da Europa. É um serviço bastante desburocratizado e simplificado”, observa Manira.
Em uma empresa de bijuterias da cidade, as informações obtidas pela reportagem são de que 30% de toda produção vai para o mercado externo. Atualmente, a empresa exporta para 12 países. Sem divulgar números, a assessoria da empresa informa que o volume de produtos exportados no primeiro semestre deste ano superou o total registrado no mesmo período de 2004.
Para o economista Wagner Ismanhoto, o crescimento dos números do Exporta Fácil mostra que as micro e pequenas empresas estão investindo no setor e conquistando cada vez mais espaço no mercado externo.
“Até pouco tempo, no Brasil a exportação era utilizada basicamente por grandes empresas. Mas percebe-se que, ano a ano, essa realidade vem mudando. Hoje, qualquer empresa que consiga seu registro tem à sua disposição serviços que facilitam o acesso ao mercado externo. Esses resultados são muito importantes, principalmente considerando o atual cenário de dólar fraco”, analisa o economista.
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Números
Pesquisa nacional realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que a maioria das empresas industriais exportadoras do País (62,1%) é de micro e pequeno portes. De acordo com o levantamento, no ano passado as exportações das micro e pequenas empresas (MPEs) cresceram 22,6% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 1,847 bilhão.
Contudo, este valor faz com que a participação delas no total de exportações ainda seja pequena: 2,3%. “As MPEs estão exportando mais do que antes, porém, o crescimento de suas exportações foi menor que o das médias e grandes empresas”, diz o gerente de gestão estratégica do Sebrae, Gustavo Morelli, no material enviado à reportagem pelo Sebrae.
Ainda segundo a pesquisa, entre os principais produtos exportados pelas MPEs brasileiras estão confecções, calçados e móveis. De acordo com Morelli, 56% das micro e 75% das pequenas empresas exportam todo ano a partir de sua primeira venda para o Exterior.