Bocaina - Mesmo depois do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP), ter defendido publicamente a contratação de parentes para cargos em comissão (de confiança), essa prática continua sendo combatida em diversos municípios.
Depois de Pederneiras, o projeto antinepotismo começou a tramitar também na Câmara de Bocaina. De autoria do vereador Adriano Roberto Baroni (PP - mesmo partido de Severino), o projeto veta a contratação, nomeação e designação de parentes para cargos e empregos em comissão.
Ao contrário da lei aprovada em Pederneiras, o projeto de Bocaina restringe a contratação de parentes até quarto grau de agentes públicos e é retroativo. Ele estabelece que, em caso de aprovação pela Câmara, a prefeitura terá 30 dias para exonerar todos os servidores que estejam em desacordo com a lei.
Na sessão da última segunda-feira, Baroni solicitou que o projeto fosse votado em regime de urgência, mas o pedido foi negado por cinco votos contra quatro. Na opinião do vereador, esse também deverá ser o placar da votação do projeto, marcada para a sessão do dia 10 de outubro.
Segundo ele, o combate ao nepotismo não interessaria ao prefeito e nem a alguns vereadores, os quais teriam parentes empregados na prefeitura.
O prefeito João Francisco Bertoncello Danieletto (PV) disse ontem que é contra o nepotismo, principalmente quando o ocupante de cargo comissionado não tem qualificação para o serviço para o qual foi designado.
Danieletto disse que não teria nenhum problema em cumprir a lei, caso ela seja aprovada pela Câmara. Ele ressaltou, no entanto, que é preciso analisar bem se o projeto não tem como finalidade apenas atingir pessoas. O prefeito estranhou que o projeto inclua parentes até quarto grau dos ocupantes de cargos públicos, enquanto nos demais municípios a restrição atinge até o terceiro grau de parentesco.
Na avaliação de Danieletto, a redação do projeto de Bocaina pode ter como objetivo atingir o assessor de imprensa da prefeitura, João Henrique Vieira de Azevedo, que é parente de quarto grau do prefeito.
“Ele já foi assessor do Quércia (ex-governador Orestes), do Rossi (ex-candidato a governador Francisco Rossi), trabalhou para o jornal O Globo, foi free-lancer da Folha de São Paulo. Ou seja, é uma pessoa extremamente profissional”, elogiou o prefeito.
“Eu sou totalmente contra o nepotismo que beneficia os parentes que não têm habilitação para o cargo”, ressaltou Danieletto. Ele fez questão de frisar ainda que, quando o parentesco é até segundo grau a questão passa ser mais moral do que legal. “Eu jamais colocaria minha esposa ou meu irmão para trabalhar na prefeitura, mesmo que eles fossem qualificados para o cargo”, afirmou.