As ruas estreitas pavimentadas com pedras irregulares, o casario colonial do século 18, a arte barroca das igrejas com seus altares folheados a ouro, os vestígios de uma época de riqueza e dos primeiros movimentos políticos de emancipação do Brasil tornam inesquecível a viagem às cidades históricas de Minas Gerais.
Nenhum brasileiro deveria morrer sem fazer uma incursão a Ouro Preto, Mariana, Congonhas do Campo, Tiradentes e São João del Rei, etapas da Estrada Real por onde, durante muitos anos, os portugueses colonialistas escoaram nossas riquezas para a Corte, em Lisboa.
Some-se a isso a irresistível cozinha local, com os seus pratos de resistência, o tutu mineiro e o feijão tropeiro coroados por costelinhas de porco e ovos estrelados. Acrescente um “bocadim” do jeitinho manso e acolhedor do mineiro que o faz sentir em casa. Está pronta a receita para uma viagem pelo tempo que ainda tem a vantagem de oferecer Belo Horizonte como base das incursões pela Minas colonial.
A capital, moderna, charmosa, com seus 1.500 barzinhos, hotéis confortáveis e as oportunidades de compras na maior feira de “industrianato” do mundo – 60 mil pessoas numa manhã de domingo de sol – são os grandes segredo de Belô.
Veredas
A obra de Guimarães Rosa tornou conhecido o interior de Minas Gerais e Niemeyer, com sua arquitetura arrojada, fez de Belo Horizonte uma referência mundial. Belô, para os íntimos, é o lar-síntese de todos os mineiros. Seus habitantes são oriundos de todos os 853 municípios do Estado. Gente “da roça”, como eles dizem lá para justificar a existência de milhares de botequins, botecos, tascas e pés-sujos que povoam suas ruas, praças e avenidas. São de uma importância sociológica que atrai os pesquisadores acadêmicos. Nesse meio nasce o espírito fraterno, o esporte da convivência e o exercício da cidadania. Com engenho, arte e sabor.
Sabor, principalmente, pois o melhor da culinária mineira sai das cozinhas desses honoráveis e ruidosos botecos. Alguns ostentando o ancestral requinte do fogão a lenha. Tudo molhado com a espumosa supremacia da cerveja e a rascante bicota da cachacinha.
Há os que preferem o boteco depois do “Mineirão”, para festejar as vitórias do Cruzeiro ou do Atlético. Desgraçadamente, “muito raramente” como eles dizem, servem para afogar as mágoas nas derrotas. E há os que preferem ir antes ao boteco, para chegar turbinado ao estádio. Depois voltam para completar o tanque. Questão de gosto...