São João del Rei fica a 182 quilômetros de Belo Horizonte, região do Campo das Vertentes. Tem 100 mil habitantes. A cidade sobressai-se pela sua arquitetura colonial, suas tradições religiosas e um conjunto ferroviário tombado pelo Patrimônio Histórico. Também é a terra de figuras importantes, como o ex-presidente Tancredo Neves e da heroína da Inconfidência Mineira, Bárbara Heliodora.
Tiradentes também teria nascido em um dos seus distritos. Sua fundação remete ao Ciclo do Ouro, no século 17. São João del Rei tem esse nome em homenagem a D. João V, rei de Portugal.
A cidade é conhecida como “a terra onde os sinos falam”. Os sinos das igrejas dobram e repicam para tudo. Segundo dizem os seus habitantes, quando morre um morador rico, os sinos maiores são badalados: BA-RÃO, BA-RÃO. Quando o defunto é de família pobre, tocam-se os sinos menores: nem-tem, nem-tem.
A verdade é que os toques, dobles e repiques informam aos moradores da cidade a realização também de solenidades, se haverá missa, procissão e até se o vigário ou o bispo será o celebrante. Os fiéis sabem ler a “música” de cada tipo de badalagem. Por paradoxal, as maiores festas são as da Semana Santa e do Carnaval.
As casas de “eiras e beiras” são das pessoas ricas, como o Solar dos Neves, da família de Tancredo Neves, e a do doutor Lustosa – lembram-se da cera para dor de dentes? É esse mesmo. Pobre não tem eira nem beira...
Juntamente com o turismo, o artesanato é uma importante atividade da cidade. Artigos em madeira, pedra, tecido, crochê, cerâmica e gesso são alguns exemplos de atrativos para os turistas. Vale a pena comprar. Os móveis são exportados para outros Estados e para o estrangeiro. Foi lá que o artesão escocês John Sommers criou as famosas taças de estanho, castiçais e outros ornamentos que lembram os utensílios usados na era medieval pelos reis e barões em seus castelos. Com R$ 50,00 dá para comprar alguma coisa. Aproveite a oportunidade.
A Igreja Nossa Senhora do Rosário é a mais antiga da cidade. Data de 1708, construída à noite pelos escravos, que durante o dia erguiam pontes e chafarizes para os barões da época.
A Igreja Nossa Senhora do Pilar é de 1721 e pertenceu à Ordem dos Carmelitas. Curiosos são os símbolos da maçonaria camuflados por dentro e por fora da estrutura do templo. É a quarta mais rica do Brasil. Foram utilizadas 100 mil folhas de ouro para dourar os altares.
As suas torres levam o nome de Irmão Sol e Irmã Lua, simbolizando Jesus Cristo como Sol da Justiça e a Lua como Noiva de Cristo que recebe o reflexo do Sol. O sol das 12 horas centraliza as duas torres e, de acordo com a maçonaria, isso torna a igreja justa e perfeita.
No Centro da cidade admiramos as residências do século 18 com estilos colonial urbano, rural, mouro, gótico, neoclássico e eclético. É um verdadeiro museu a céu aberto.
A maior atração fica para a Igreja de São Francisco de Assis, de 1774, em estilo rococó. Esse estilo artístico é de origem francesa e se desenvolveu na Europa a partir do século 18. A característica principal é o uso de elementos em rocalhe (como contas de colar ou rosário).
As composições são assimétricas e evocadoras de conchas e formações vegetais. A fachada da igreja representa a mulher e o dragão referenciados no 12º livro do Apocalipse. O jardim frontal revela o desenho de uma harpa, a harpa de Davi, dos salmos. Dentro da igreja depara-se com o formato da Arca de Noé – “Deus anunciando o dilúvio ao patriarca Noé e a destruição da humanidade”, para tudo renascer.
Aleijadinho foi o responsável contratado para construir a igreja. Como não o pagaram, num dos medalhões da fachada ele fez inscrever alguma coisa parecida com R$, como protesto pela falta dos “reais” no seu bolso. Aconteceu que roubaram o ouro da igreja reservado para dourar os altares que hoje estão em madeira nua. O cedro rosa ao natural (foi retirado o gesso que o cobria) deu ao templo muito mais beleza. No cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, logo atrás, estão enterrados no jazigo da família Neves Tancredo e sua esposa Risoleta.