08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

A arte da pescaria de piapara

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Encontrada nas corredeiras do rio Paraná, a piapara é uma espécie bastante procurada pelos pescadores, principalmente pela dificuldade em capturá-la. O peixe exige uma certa dose de paciência e bastante técnica, pois além de ser arisca e não suportar barulhos, a piapara anda em cardumes que nem sempre estão nos mesmos locais.

Apaixonado pela esportividade da piapara, Elço Bonomo se especializou na espécie e sempre que o trabalho permite, “foge” para o rio Paraná para encontrá-la. “É uma pesca difícil, pois a piapara não aparece em finais de semana”, brinca. Sua observação faz sentido, pois nesses dias o número de barcos circulando no rio é muito maior. “Já cheguei a contar mais de 60 barcos enfileirados na pesca da piapara. Quando estou em férias e pesco durante a semana, o resultado é muito melhor”, comenta Bonomo.

A tralha leve deixa a aventura ainda mais saborosa. Alguns pescadores usam varas de bambu, o que requer bastante habilidade e normalmente são feitas do barranco. Outros usam uma tralha leve para não assustar o peixe. “Até a linha não pode ser muito grossa, que ela não pega. Evito usar encastoador, pois a piapara vê e não morde a isca.”

Em suas pescarias, que ocorrem na região de Panorama, onde o rio Paraná ainda corre, apesar do represamento, também encontra as piracanjubas. São áreas conhecidas pelos pescadores por Ônibus e Jupiazinho. “Estas são ainda mais complicadas e ariscas, é preciso ter uma boa diversidade de iscas para atraí-las. São raras, nem sempre pegam no anzol”, acrescenta o pescador. Mas Elço Bonomo fabricou um cevador que tem colaborado bastante em suas pescarias. “Com a ceva constante, você atrai o cardume. Às vezes demora, é necessário carregar a cada meia ou uma hora, sempre que estiver vazio, mas somente assim os peixes vão aparecendo.”

Outra dica fundamental é o silêncio. “A piapara não gosta de barulho e muita movimentação de barco, por isso, arremessamos distante do barco, na corredeira, para onde a ceva está sendo levada pelas águas. Você tem que ficar como um gato no barco.” Outros fatores que atrapalham a pescaria é o vento e a baixa temperatura da água. “É bom quando o rio está tranqüilo, sem muitas mudanças.”

Entre as iscas utilizadas, e são muitas, Bonomo sugere ao pescador que leve variedade, principalmente aquelas “cheirosas”. “Eu costumo levar caramujo, milho cozinho azedo, soja e bigato, que ela adora. Raramente uso sangue coagulado, que a piapara gosta, mas escapa fácil do anzol. Alguns pescadores prendem com elástico. A massa com sabor de frutas também é bastante atrativa”, comenta o pescador.

Bonomo lembra que os locais onde são encontradas a piapara, também são pontos de pesca da piracanjuba e do piau, por isso, vale o pescador estar preparado para essas espécies esportivas. “O piau, por exemplo, prefere a minhoca ou o bigato. Já a piracanjuba adora um gafanhoto ou um besouro. Depende do bicho da época”, acrescenta.

“As piaparas buscam locais de pedreira, onde a comida fica circulando no rebojo da água, por isso, é bom deixar o anzol entre um e um metro e meio da chumbada, assim fica solto.”