09 de julho de 2026
Geral

Unesp ganha torneio de futebol de rob

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 4 min

Elas foram batizadas de Rosbife, Queijo e Picles. À primeira vista são meras caixinhas que cabem na palma da mão. Mas têm um diferencial: são jogadoras de futebol. Desenvolvidas por estudantes e professores do curso de ciências da computação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, as caixinhas na verdade são robôs móveis e renderam aos pesquisadores o campeonato brasileiro e latino-americano da Competição Latino-Americana de Robôs (Larc).

O time bauruense saiu invicto de cinco jogos e com saldo de 38 gols. Tudo isso pode parecer uma inocente brincadeira, mas é a conseqüência de cerca de dois anos de pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Desenvolvimento de Robôs Móveis da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp. Os robôs são apenas o resultado visível de uma pesquisa que envolve conceitos de áreas como computação e engenharia. A partir deles, os pesquisadores podem criar novas tecnologias e serviços na área da robótica móvel para setores como indústria e saúde. Para desenvolver o time atual, foram investidos cerca de R$ 3 mil.

A competição foi realizada na Universidade Federal de Maranhão, durante o sétimo Simpósio Brasileiro de Automoção Inteligente e segundo Simpósio Latino-Americano de Robótica, nos últimos dias 18 e 19. O objetivo da competição é comparar tecnologias. “Temos que mostrar que (o nosso robô) é melhor do que o do outro. Ganha quem tem um melhor conjunto, de robô e de estratégias”, resume o professor e um dos coordenadores do projeto Renê Pegoraro.

O palco para exibição dos trabalhos e para o jogo é uma área de 1,30 metro de comprimento por 1,50 metro de largura. Assim como o futebol convencional, existem as demarcações do meio de campo e laterais. No centro, fica a bola - de golfe. Ficam três jogadores de cada lado, divididos em goleiro, volante e atacante. “Colocamos aqueles nomes (rosbife, queijo e picles) para lembrarmos de algo que caracteriza Bauru e, por isso, escolhemos o sanduíche”, explica o estudante Ary Fagundes Bressane Neto. Além dele, o estudante Rodrigo de Camargo Bortholin também participou da competição.

Gols

Apesar das diferenças visíveis de um jogo de futebol comum, o objetivo é o mesmo, marcar gols e não deixar o adversário chegar na pequena área. As semelhanças, no entanto, terminam por aí. O lúdico vaivém dos robôs esconde a verdadeira tecnologia que os comanda. Muito antes do início da partida, os pesquisadores desenvolveram um software - programa de computador - que comanda as estratégias de atuação dos três robôs, todos programados para ganhar o jogo.

As informações do computador são passadas via rádio e as decisões são tomadas pelos próprios jogadores. “Nosso trabalho (durante o jogo) é ficar olhando. O verdadeiro trabalho é feito antes. Quanto mais inteligência o robô tiver, mais ele joga”, explica o professor e também coordenador do projeto, Humberto Ferasoli Filho.

Os robôs são feitos de resina acrílica e têm dimensões de 7,5 centímetros, duas rodas, um conjunto de pilhas e um pequeno computador para que sejam controlados à distância. A partida é dividida em dois tempos de cinco minutos e também há marcação de faltas e regras a serem seguidas pelos jogadores. Apesar do aparato, a arbitragem ainda é feita por um juiz humano. “Mas já está em desenvolvimento um em computador”, adianta Ary Neto.

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Brincadeira séria

As pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Desenvolvimento de Robôs Móveis da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp desde de 1997 buscam resultados que vão além do campeonato de futebol de robôs. A partir dos estudos, alunos e professores criam e aperfeiçoam tecnologias que podem ser usadas em áreas diversas da indústria, da saúde, da construção civil e, até mesmo, dentro de casa.

“A robótica envolve uma área ampla de conhecimento. O futebol é interessante porque se torna uma base experimental. É uma brincadeira que se amplia para assuntos sérios”, diz o professor Humberto Ferasoli Filho.

Segundo ele, os robôs móveis podem ser usados em locais ou em atividades que não permitem a atuação do ser humano. “Como por exemplo as sondas de Marte, ou ainda andar em tubulações de esgoto (para identificar problemas)”, lembra.

A partir dos robôs, por exemplo, os pesquisadores podem desenvolver técnicas de transmissão de informação e de imagens. Elas poderiam ser usadas em indústrias, para identificação do padrão de qualidade de produtos, ou ainda na saúde, para análise de exames.

Além de atividades mais complexas, os robôs podem desenvolver serviços domésticos, como aspirar pó, limpar fundo de piscina e cortar grama. “Claro que não chega a ser como a empregada dos Jetsons (desenho animado de uma família que vive numa era futurista)”, brinca o professor.