11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Sindicato acusa Correios de retaliação a grevistas

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 2 min

A greve dos funcionários dos Correios de Bauru durou pouco mais de 13 horas e terminou nove dias antes do movimento nacional, que foi encerrado no último dia 23. Apesar do pouco tempo de participação dos trabalhadores na cidade, o Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de Bauru e Região afirma que a diretoria local da empresa está fazendo retaliações contra os grevistas.

De acordo com o presidente do sindicato, José Aparecido Gimenes Gandara, nos dias seguintes à greve, dois empregados foram notificados pela diretoria local para explicarem suas atitudes durante a manifestação. Eles receberam uma Solicitação de Informação ao Empregado (SIE), documento que deve ser respondido pelo empregado para depois seguir para análise da diretoria. Para o sindicato, a medida fere o acordo feito entre a Federação dos Empregados dos Correios (Fentec) e a empresa de não haver retaliações.

Segundo Gandara, dependendo da avaliação da diretoria, o funcionário pode ser demitido por justa causa. Além disso, o documento ficaria anexado à ficha do empregado, o que poderia prejudicar sua carreira na empresa. “(Usar a solicitação) para levantar um erro de serviço tudo bem. Mas questionamos o fato destes documentos surgirem após a greve. Isso é uma agressão psicológica contra o grupo, é uma forma de pressão”, considera.

Em um dos casos, o funcionário foi acionado após questionar uma empregada da coordenadoria durante o período de negociação da greve. No segundo, a empresa notificou o trabalhador após denúncia de que ele teria provocado colegas que não participaram da greve. “Não precisava usar a solicitação para isso. Deveria ter chamado o sindicato para conversar (já que se trata de movimento de classe)”, afirma o presidente do sindicato. Os trabalhadores envolvidos não quiseram comentar o caso com a reportagem por temer retaliações.

Em nota, a assessoria de imprensa dos Correios informou que a solicitação de informação é utilizada pela empresa para levantar fatos não esclarecidos e para os “empregados se expressarem”. Afirma ainda que a medida não é usada para prejudicá-los e não justificou porquê os dois trabalhadores foram notificados após a greve.

Segundo o auditor fiscal do trabalho do Ministério do Trabalho de Bauru, José Eduardo Rubo, as solicitações encaminhadas aos funcionários não infringem itens da legislação trabalhista e que são necessários mais indícios para caracterizar casos de pressão contra o trabalhador. “Em princípio não há ilegalidade. Por enquanto, é uma questão de negociação interna (entre sindicato e empresa)”, explica.

O presidente do sindicato dos trabalhadores dos Correios adiantou que o órgão vai procurar a diretoria de Recursos Humanos da empresa em Brasília para questionar a ação da diretoria local. “Esperamos, com isso, reforçar a defesa dos funcionários, eliminar a perseguição e fazer com que a diretoria chame o sindicato para conversar, não o trabalhador”, diz Gandara.