08 de julho de 2026
Auto Mercado

Pequenos, velozes e furiosos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Você certamente já ouviu falar naquelas pessoas que adoram “envenenar” veículos para participar das mais variadas corridas de automobilismo. Entretanto, há quem prefira e se declare apaixonado por uma modalidade diferente de preparação mecânica: as efetuadas em carrinhos de controle remoto.

O agudense Filipe Balestra e os bauruenses José Maurício Leite e Fabiano Figueiredo integram um grupo de cerca de dez adeptos do hobby na cidade, que em sua fase áurea já foi sede até de etapa de um campeonato paulista. “Nossa intenção é conquistar mais praticantes para que possamos até construir uma pista padronizada para realizarmos novamente provas do paulista e, quem sabe, do mundial”, afirma Leite.

Fanáticos pelos carrinhos, também chamados de auto-modelos radiocontrolados, eles reúnem-se todos os sábados, domingos e feriados, a partir das 15h, em uma pista localizada em um hotel bauruense. É nela que, além de “fuçar” nos pequenos velozes e furiosos, o grupo faz verdadeiras competições. “O mais gostoso é mexer e dar os peguinhas”, ressalta Balestra.

Mas o que é possível fazer em termos técnicos para preparar e “envenenar” os carrinhos? “Quase tudo o que é feito em um veículo comum”, responde Leite. “Pode-se alterar suspensões, escapamentos, alinhamento de rodas e, principalmente, a regulagem e afinação dos motores, que é o grande segredo dos campeões da modalidade”, acrescenta.

Outra característica do hobby é o fato de atrair admiradores de todas as faixas etárias. Leite, 36 anos, é um dos “veteranos” da turma, pois pratica o automodelismo há dez anos. “Muitos são adultos e acho que a razão disso é o fato de que, quando éramos pequenos, não tínhamos condições de ter esses brinquedinhos”, ressalta.

Já Figueiredo pertence aos “novatos” e está no hobby há apenas seis meses, tempo suficiente para começar a dominar as manobras e as preparações técnicas. “Comecei a me dedicar para valer principalmente depois de cansar de apanhar dos outros nas corridas”, brinca. “Ele sempre inventa uma desculpa para justificar seus maus resultados”, complementa Balestra, provocando Figueiredo.

Movidos a um combustível chamado de nitrometano, abastecido em um minúsculo tanque de cerca de 75 mililitros que lhe garante autonomia entre cinco minutos e oito minutos, os automodelos são divididos em categorias - diferenciadas pela potência do motor, que pode atingir até seis cavalos, e outras características técnicas - e podem atingir velocidades semelhantes aos bólidos da Fórmula 1. “Dependendo da profundidade e do nível da preparação, eles superam os 300 km/h. Os nossos aqui são bem mais simples, mas são capazes de atingir entre 120 km/h e 140 km/h”, explica Leite.

O bom desempenho dos automodelos anima seus “pilotos” a desafiarem até os veículos de arrancada de verdade. “Se alinhar lado a lado, pode apostar o que for. Os automóveis levam pau, pois os automodelos são muito mais leves. Para pegar, acho que só moto”, garante Leite. Alguém se habilita?