07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Conta zerada

O aperto nas contas de 2005 era esperado na prefeitura, mas o que está incomodando de fato o prefeito Tuga Angerami é a necessidade de pagar o 13º salário em dezembro, em um total de R$ 7 milhões. A conta é simples. O governo deve ter receita total de R$ 45 milhões nos próximos três meses. Mas para fechar o ano só com as contas fixas em dia, seria necessário valor parecido a este. Sem contar a parcela anual dos precatórios.

• Desapropriações

Como o valor da parcela anual dos precatórios (sentença judicial definitiva que obriga o pagamento de débitos como as desapropriações de áreas) atinge alguns milhões, o prefeito Tuga já sinalizou que se tiver de escolher pagará o 13º e deixará a outra despesa para o início de 2006. Se a questão for optar, fica óbvio que entre desagradar alguns credores e 6 mil servidores, Tuga vai ficar de bem com os funcionários.

• Orçamento 2006

O prefeito Tuga Angerami (PDT) não gosta muito dessa conta, mas a verdade é que, apesar das limitações com investimentos, em 2006 pelo menos o Executivo não terá que se preocupar em desembolsar R$ 35 milhões para pagar restos da gestão anterior. Com isso, o raciocínio inverso também é lógico. Ou seja, Tuga vai entrar em 2006 com uma “folga” de R$ 35 milhões que não teve neste primeiro ano.

• Conservadorismo

O espírito conservador da caneta que elaborou a peça orçamentária de 2005 - em vigência - é muito mais amplo do que se cogitou. Na verdade, o projeto de lei que apontou os recursos para o atual exercício fixou a entrada de recursos em R$ 160 milhões. Na realidade, a prefeitura vai arrecadar R$ 200 milhões até dezembro próximo. São R$ 40 milhões de diferença, equivalente ao orçamento do DAE para o ano todo.

• Número estranho

Muita gente não gosta de discutir os números da peça orçamentária, acha o assunto técnico, maçante. Pode até ser, mas é das dotações que saem as condições para as realizações de governo. E cifra errada gera distorsão. A pasta de Administração, por exemplo, teve destinação de apenas R$ 3,5 milhões na lei referente a 2005, quando a média dos últimos anos era de R$ 7 milhões. Para 2006, a prefeitura corrigiu o valor, destinando R$ 7,6 milhões para esta área.

• Obras ‘fatura’ mais

No setor de obras, a demanda é enorme e a ansiedade da população por pavimentação é crescente. Para quem gosta de confrontar os dados com o que pensa o governo nesta área, vale citar que a pasta teve R$ 11,3 milhões no orçamento deste ano e a proposta para 2006 é de R$ 16,4 milhões.

• Reforço na Sear

Proporcionalmente, o atual governo preferiu ampliar as aplicações na área das Administrações Regionais. A Sear teve destinação na lei de R$ 3,9 milhões em 2005, mas vai receber R$ 6,6 milhões. A explicação para o ganho de R$ 2,6 milhões está na operação tapa-buracos. Quem der uma olhada no Plano Plurianual (PPA) também vai verificar que o governo quer intensificar o programa de instalação de bloquetes de cimento em ruas com pouco movimento na periferia.