10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Junta destitui diretores do Sindtran

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Uma assembléia realizada ontem à tarde na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Bauru (Sindtran), com a participação de aproximadamente 100 trabalhadores, decidiu pela criação de uma junta governativa para administrar a entidade durante 90 dias. Ao final deste período, o objetivo dos membros da oposição à atual diretoria é fazer uma nova eleição.

A decisão foi tomada em função da prisão em flagrante ocorrida na última quarta-feira, em Araçatuba, de cinco integrantes da atual diretoria do sindicato. A acusação de extorsão envolve Elias Pinheiro da Silva, Paulo Henrique Del Rey, João Antonio Pazoni, Mário Aparecido Henrique e Benedito Donizete da Silva. Conforme divulgado pelo JC, o caso está sendo investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Araçatuba.

De acordo com Valmir Nonato, membro da chapa de oposição à atual diretoria do Sindtran, a junta governativa vai atuar em parceria com os 14 diretores da entidade durante os próximos 90 dias. A junta é formada por seis pessoas: Nestor Nogueira Pinto, Adriano Oliveira Serrano, José Rodrigues da Silva, Walter Dutra Pereira, Paulo Sérgio Souza e Aparecido Donizete.

“Vamos dar continuidade aos trabalhos do sindicato, mas também pretendemos montar um novo estatuto e formar outras chapas de oposição para, daqui a 90 dias, promover uma eleição para definir a nova diretoria do Sindtran. A categoria já estava revoltada com a atual diretoria, e agora, com as prisões, não é mais possível as coisas continuarem como estão”, destaca Nonato.

O sindicalista Valter Cardoso, diretor-adjunto de patrimônio do Sindtran, não vê motivos para a formação da junta governativa. Segundo ele, a atual diretoria está tomando as providências para dar continuidade ao funcionamento do sindicato.

“Se for assim, precisaria formar milhares de juntas governativas no Brasil inteiro. Lá em Brasília também tem irregularidades, e nem por isso trocaram todos os parlamentares. Aqui no Sindtran houve uma irregularidade, e nós, baseados na lei e no estatuto da instituição, estamos tomando as providências cabíveis para fazer a troca. Vamos promover as pessoas que estão na suplência para suprir as vagas deixadas por esses cinco membros”, destaca.

Quanto ao suposto caso de extorsão do qual os cinco membros do Sindtran são acusados, Cardoso diz estar “chocado”.

Oposição

Um dos participantes do ato realizado ontem à tarde em frente à sede do Sindtran, Alcindo Marciano, comemorou a iniciativa dos membros da oposição. Segundo conta o ex-motorista de ônibus, ele foi aposentado em janeiro deste ano por invalidez, devido a problemas de saúde.

“Os trabalhadores estão sendo prejudicados há muitos anos por essa diretoria (do Sindtran). O sindicato não favorece a gente em nada, só (ajuda) os patrões. Até para usar o plano de saúde que a empresa paga para os funcionários, o sindicato exige que a gente seja sócio. O pouquinho que a gente tem (de benefícios), o sindicato está tirando de nós. Para me aposentar eu tive que procurar a Justiça, porque o sindicato não me ajudou em nada”, reclama o aposentado.

O ato de ontem à tarde foi apoiado por representantes de outras entidades, como Roque Ferreira, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A participação de outras categorias foi considerada “falta de respeito” pelo diretor-adjunto, Valter Cardoso.

Em seu discurso, Roque Ferreira fez duras críticas à administração do Sindtran, dizendo que os trabalhadores “não podem continuar sendo roubados” e que o sindicato é propriedade deles, e não da diretoria da entidade.

____________________

Ministério Público

O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) de Bauru Cássio Calvilani Dalla-Dea recebeu, há cerca de 15 dias, denúncia de um grupo de trabalhadores do sistema de transporte coletivo da cidade.

“A queixa (desses trabalhadores) era de que o sindicato estaria abrindo mão de algumas conquistas (trabalhistas) adquiridas em acordos coletivos anteriores. Mas tudo isso está sendo investigado, ainda não há nenhuma conclusão”, ressalta.

O procurador acrescenta que já solicitou cópia de toda a documentação referente à prisão dos integrantes do Sindtran, ocorrida em Araçatuba, para juntar aos autos da investigação que ele já está fazendo sobre a denúncia recebida pelo MPT.