Cobrar do governo do Estado mais investimentos para o setor agropecuário no centro-oeste paulista. Este foi o principal tópico debatido ontem na primeira reunião do grupo técnico do agronegócio do Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder) em Bauru. Cerca de 30 pessoas participaram do encontro, realizado no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
O debate foi coordenado pelo prefeito de Iacanga, Ismael Boiani (PSDB). Segundo ele, a união entre os municípios e a cobrança política por melhorias são fundamentais para impulsionar o desenvolvimento sustentável da região.
“É necessário haver mais investimentos públicos em infra-estrutura. O governo precisa concluir o aeroporto de Bauru, investir na hidrovia e nas ferrovias. A integração dessas vias de transporte com a malha viária, que já está sendo recuperada, vai facilitar o escoamento dos produtos agropecuários, inclusive em exportação. Quando o agronegócio recebe investimentos do governo, a iniciativa pública vem atrás”, argumenta.
Mas Boiani alerta que os investimentos devem ser aplicados em diversas frentes. Ele cita, por exemplo, a rede elétrica, que mostra-se insuficiente para suportar a alta potência dos motores usados atualmente na produção.
“A rede de distribuição da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) tem cerca de 40 anos e a realidade das fazendas de hoje é muito diferente, elas são totalmente mecanizadas, usam motores potentes para tudo, silo, sistemas de irrigação e vejo a falta de investimentos nessa rede como algo muito grave. Sem energia não há progresso”, defende.
Outro ponto crítico, segundo Boiani, seria a segurança na zona rural. “A agricultura tem sofrido muitos roubos de tratores, cabos, transformadores, mercadorias, produção. O governo precisa viabilizar ações de segurança para garantir estabilidade ao produtor”, reforça.
Novos nichos
Outra meta apontada pelo grupo técnico do agronegócio do Coder é investir em novas possibilidades mercadológicas de atuação, sempre visando o desenvolvimento sustentável do setor.
O professor do Departamento de Biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Aloisio Costa Sampaio, cita o aproveitamento e processamento das frutas como uma possibilidade. Segundo ele, a Associação de Fruticultores de Bauru e Região (Baurufrutas), que engloba 36 produtores de maracujá, já dispõe dos equipamentos necessários com capacidade para produzir 500 quilos por hora, mas a entidade batalha por uma nova sede há meses junto ao governo.
“A Baurufrutas funciona no posto de sementes há cerca de um ano, mas o local vai abrigar o Poupatempo e precisamos de um novo espaço. Estamos reivindicando um barracão do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que está ocioso, mas ainda não temos resposta”, comenta.
O secretário de Turismo de Arealva, Douglas José Caracho, destaca outros potenciais da região. Um deles é o grande número de produtores artesanais. “Com um pouco de incentivo, eles podem evoluir para uma produção industrial. Afinal, muitas coisas começam como produções caseiras”, comenta.
Ele também sugere mais investimentos no turismo rural e no agroturismo. “Tem gente que só conhece leite em caixinha e queijo embalado. Podemos criar roteiros turísticos com visitas às fazendas para ver de perto como funcionam a produção e industrialização desses produtos”, enfatiza.