08 de julho de 2026
Bairros

Casa abandonada acumula multas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O número afixado na parede da casa é uma das poucas coisas que continuam inteiras no imóvel. Desabitada há anos, a construção número 11-9 da rua Quintino Bocaiúva, nos Altos da Cidade, não tem portas, as janelas estão quebradas e o teto e o assoalho de madeira foram parcialmente destruídos pelo fogo. Mesmo assim, sem-tetos costumam dormir na casa, que acumula lixo tanto em seus cômodos quanto no quintal. Apenas neste ano, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) aplicou duas multas, que totalizam R$ 6 mil, por conta das irregularidades na residência, mas a situação continua a mesma.

“Eu só não vou embora daqui porque a casa em que moro é minha. É horrível. Além do mau cheiro, o pessoal que dorme aqui vive brigando, gritando. Eles bebem demais”, relata uma das vizinhas do imóvel abandonado, que prefere não se identificar com medo de represália. Outro morador da redondeza relata que já chegou a contar dez pessoas no imóvel. “Acho que tem menor e maior de idade. Às vezes tem mulher dormindo aí também”, diz.

A casa, localizada em região nobre da cidade, está com o fornecimento de água e luz cortado. A reportagem do JC encontrou colchões velhos espalhados pelo chão, restos de comida e um cachorro vira-lata na residência semi-destruída, indicativos de que há gente pernoitando no imóvel. Sem saber direito quem é o dono do imóvel e cansados de reclamar da situação à prefeitura, os moradores acionam a Polícia Militar toda vez que percebem movimentação no local.

A reclamação já chegou, inclusive, ao vereador Marcelo Borges (PSDB), que afirma pedir providências à Seplan, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. “Vou pedir para a Seplan notificar o proprietário porque, do jeito que está, a casa é um risco à população”, frisa.

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que neste ano foram lavradas duas multas de R$ 3 mil cada uma referentes ao imóvel. A primeira é relativa à capinação e limpeza. A outra é em relação à falta de reparo do passeio. Um dos responsáveis pela residência informou à Seplan que o destino do imóvel está sendo discutido judicialmente e que, por isso, ele está impedido de fazer obras no local.

Ele também alegou, de acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, que tentou diversas vezes fechar a casa, mas que não conseguiu impedir a entrada de pessoas no local porque a proteção foi destruída. Por dia, a Seplan recebe, em média, 50 reclamações relativas a lixo, mato alto e falta de calçadas, situações semelhantes à da casa da quadra 11 da rua Quintino Bocaiúva.