08 de julho de 2026
Nacional

Kirchner volta para casa e esvazia mais a cúpula

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Brasília - Assim como já havia ocorrido em maio passado durante a Cúpula América do Sul-Países Árabes, o presidente argentino, Néstor Kirchner, deixou ontem de forma antecipada a Primeira Reunião de Chefes de Estado da Comunidade Sul-Americana de Nações, contribuindo ainda mais para o esvaziamento do evento.

Kirchner, aliás, nem sequer participou da reunião. Sua passagem por Brasília se restringiu a um jantar anteontem à noite com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega venezuelano Hugo Chávez, com quem assinou acordos bilaterais.

Ontem, assessores do Palácio do Planalto tentaram minimizar a ausência do argentino. Irritado com o questionamento da imprensa e irônico em suas respostas, o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou: “Vocês (repórteres) escrevam o que vocês quiserem. O Kirchner voltou porque tinha compromissos eleitorais na Argentina”.

Lula, porém, decidiu não poupá-lo de críticas, mesmo que de forma indireta e sem citá-lo nominalmente. Primeiro, na abertura de reunião da recém-criada Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), atacou os chefes de Estado que ficam “confinados” em seus países.

“Sei que temos problemas e responsabilidades que exigem nossa atenção e presença cotidianas em nossos países, o que limita nossa assistência a compromissos internacionais. Mas a experiência nos mostra que, em um mundo interdependente como o nosso, não podemos ficar confinados em nossas fronteiras nacionais.”

Mais tarde, foi mais direto em seus ataques. “Nem sempre a gente consegue fazer o debate político, porque muitas vezes nós começamos uma reunião com 12 presidentes e a terminamos com quatro presidentes, cinco presidentes.”