Aos dezoito anos eu conheci um rapaz que dizia estar apaixonado por mim. Achei aquilo maravilhoso, pois até então eu não conhecia o que era o amor e nem como era ser amada, nem pelos meus pais.
Meu pai era alcoólatra e fez eu pedir esmolas dos 6 aos 13 anos para ele sustentar o vício. Aos 13 anos arrumei um trabalho para ajudar os meus pais e me ajudar, também porque até aquela idade eu andava descalça e meu sonho era comprar uma havaiana. Apanhei quando recebi e comprei a havaiana porque eles queriam todo meu dinheiro. Eu chorei muito e sofri muito com meus pais.
E quando este rapaz apareceu e se declarou, eu lhe disse que eu era o arrimo da minha família, ele falou com meu pai e prometeu que iria ajudar financeiramente meus pais e daí eles deixaram eu namorar. Três meses depois ele já quis casar e meu pai e minha mãe disseram que era melhor casar só na igreja porque se não desse certo era mais fácil separar. Eu me casei na Igreja Católica Apostólica Brasileira. Nove meses depois do casamento, eu tive meu filho e quando ele fez 1 ano eu tive minha filha. Quando ela tinha 2 meses, ele foi embora e nunca mais voltou. Fiquei com dois bebês de colo tive de voltar para a casa dos meus pais e sofri muito mais, porque eles me batiam, me xingavam e queriam que eu trabalhasse para mantê-los e o pior era que agora, além do meu pai minha mãe, mais três irmãos já haviam se viciado na bebida também. Era um verdadeiro inferno.
Eu fiquei muito doente, caí em depressão, passava fome e amamentava minha filha. Quando senti que era o fim, um vizinho me chamou, me aconselhou e me ajudou - ele e a esposa dele. Eu fui ao médico, fiz tratamento e arrumei um emprego. Eu estava reagindo à base de calmante e aos poucos saí daquela depressão. Não dormia direito à noite porque minha mãe ameaçava matar meus filhos enquanto eu dormia, sempre.
E dois anos depois, na fábrica em que eu trabalhava, eu conheci um rapaz e aos poucos nós fomos nos identificando e eu achei que seria bom sair da casa dos meus pais. Assim sendo, fomos morar juntos.
E eu, muito boba e inexperiente, fiquei grávida logo de cara e daí, confirmada a gravidez, contei a ele, que ficou tão bravo que quis até me bater. No terceiro mês de gestação ele foi embora. Eu não voltei mais para a casa dos meus pais, já conseguia sobreviver só com os meus filhos, e tempos depois fiquei sabendo que ele, o rapaz que me deixou, havia sido assassinado. Tive minha outra filha e, graças a Deus, lutando vivendo, aos poucos tudo ia dando certo.
Consegui ficar sozinha seis anos e foram anos alegres, que curti muito meus três pequeninos. Quando a caçulinha tinha 6 anos, eu a coloquei no pré. Daí conheci um viúvo. Por um ano nós nos relacionamos bem, eu, ele e as crianças. Resolvemos morar juntos, eu fiquei três anos tomando anticoncepcional e um belo dia eu achei que estava grávida e foi aí então que eu descobri quem era o homem que vivia comigo. Ele não aceitou a gravidez e tentou me fazer abortar o nenê a qualquer custo. Só tive um caminho, sair de casa com três filhos, um na barriga, desempregada e fui morar num galinheiro no fundo de uma casa. Passamos fome, sofremos, e, quando a pequena nasceu, a última, eu jurei que nunca mais acreditaria em homem, pois tudo que eu queria era ser feliz e nunca havia sido até então.
Coloquei meu bebê na creche, arrumei emprego e lutei muito. Hoje três são casados, tenho quatro netos maravilhosos, todos estudaram, se formaram, têm suas casas e seus carros.
Eu e a caçula estamos juntas. Ela tem 17 anos e é uma promessa do esporte brasileiro, esperem!... E há 17 anos eu não tenho ninguém, mas agora eu comecei a observar um homem que conheci e aos poucos comecei a gostar dele. Já vai fazer um ano que estou apaixonada por ele. Há seis meses eu mandei uma telemensagem para ele e a moça que passou a telemensagem perguntou se eu tinha chance e ele disse que não, pois foi traído por sua ex-esposa e não acredita mais no amor.
Eu me guardei 17 anos e agora que o amor chegou no meu coração, pra valer, ele não me quer, tudo porque ele tem medo de amar de novo. Será que um dia a ferida do coração dele vai cicatrizar e ele vai me dar uma chance? Ou será que devo esquecê-lo?
Chorei, choro por este amor, tudo o que eu quero é ser feliz.
Eu venci a fome, a pobreza, o desamor. E hoje eu luto para vencer este amor, que também não está sendo fácil. Se ficarmos juntos, vamos envelhecer juntos, tomaremos chá e chocolate quente no inverno, balançaremos na rede, na cadeira de balanço e curtiremos 10, 20, 30 anos juntos na presença do Senhor que eu conheci e que se chama Jesus.
Eu ainda tenho esperança. Se ela é a última que morre, a minha é imortal.
Meu nome é Esperança!...