Trabalhei durante 24 anos na Federação Paulista de Futebol como representante de jogos envolvendo A1, A2, A3 e Campeonato Brasileiro. Minha função era analisar a parte técnica, física e disciplinar, também a conduta moral, personalidade e procedimento dos árbitros, antes, durante e depois das partidas. Portanto, sinto-me inteiramente à vontade para expressar aqui meu ponto de vista a respeito do ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, esse marginal que enganou a todos “pondo de pernas para o ar” o nosso Campeonato Brasileiro.
No entanto, posso afirmar com certeza absoluta que existem árbitros honestos, competentes e profissionais em toda concepção da palavra. Árbitros que colocam seu dever acima de tudo. É importante não denegrir a imagem destes. Seria uma injustiça. Um desses reside aqui em Bauru. O nosso amigo Márcio, que trabalha como assistente, mas nem por isso deixa de ser árbitro. Homem honesto, responsável e competente. Trabalhou em um jogo com esse “crápula”, sr. Edílson Pereira de Carvalho, e agora me vem ele (Edílson) dizer que o Márcio também se envolveu no esquema de fabricação de resultados antecipados no Campeonato Brasileiro. Isto é o maior dos absurdos que se pode ouvir. Pelo Márcio, eu “ponho minha mão no fogo”. Conheço sua honestidade, seu caráter e sua competência. Trabalhei muitas vezes com ele, e em minhas análises quanto ao seu trabalho sempre foram excelentes. Tenho certeza que os outros representantes também pensam da mesma maneira, e, podem ter certeza, o Márcio chegará à Fifa.
Quanto ao sr. Edílson Pereira de Carvalho, é um mau caráter. Confesso que ele me enganou completamente. Trabalhei muitas vezes com ele, em jogos de expressão, envolvendo times grandes. Nunca se questionou a falta de habilidade do sr. Edílson na condução de uma partida. Sempre demonstrou profundo conhecimento na aplicação das dezessete regras do futebol. É inacreditável que uma pessoa possa se corromper por dez ou quinze mil reais. Mesmo que fosse bem mais.
O caminho para se chegar à Fifa é árduo e poucos o conseguem. Por outro lado, mesmo sendo um bom árbitro dentro de campo, fora dele, em várias ocasiões, demonstrou arrogância e intolerância, quando tomávamos conhecimento que as taxas referentes à arbitragem não seriam pagas. Por mais de uma vez, chamou um diretor local e exigia que a taxa fosse paga antes do início da partida. Esse seu procedimento contrariava as normas estabelecidas pela Comissão de Arbitragem da FPF. Deveríamos trabalhar e, não recebendo, relatar por escrito. Talvez essa sua ganância por dinheiro o tenha feito enveredar para o lado criminoso.
Esses incidentes acontecidos com o sr. Edílson sempre foram relatados por mim e outros representantes. Portanto, a FPF sabia que esse seu procedimento não estava correto. Um árbitro de primeira linha deve ser tolerante, educado no trato para com seus semelhantes, e principalmente usar de bom senso. Esse problema com taxas competia só a nós representantes. Sua atenção deveria ser direcionada apenas para o jogo que deveria apitar.
Agora me vem o sr. Marco Polo Del Nero, presidente da FPF, dizer: “Não sei, não vi nada de anormal nos jogos do sr. Edílson Pereira de Carvalho, quando arbitrou a série A1-05”. Pode até ter sido enganado como nós, representantes, pois nas gravações feitas pela Polícia Federal, o sr. Edílson falou: “Não se preocupe, pode apostar até seus carros. Vou fazer o resultado. Marco uma falta não acontecida. Após reclamações, aplico o amarelo no jogador, e depois o vermelho”. Reclamações, são palavras, e estas perdem-se no ar. Questionado, o sr. Edílson me dizia em várias ocasiões: “Reclamou acintosamente, razão pela qual dei-lhe o amarelo. Depois, continuou a reclamar, não tive qualquer outra alternativa”. É complicado.
Na verdade, chegamos a considerá-lo como um árbitro disciplinador. Apesar de poder ter sido também enganado, pergunto ao sr. presidente da FPF: mesmo depois de se ter constatado a falsificação do diploma apresentado à CBF, após algum tempo, o sr. Edílson voltou a apitar. Por quê? Falsificar um diploma é crime, passível de processo. Por muito menos, o sr. Alfredo dos Santos Loebelling, árbitro também do quadro nacional, foi banido do futebol brasileiro. Terminou a partida um minuto, ou um pouco mais antes do tempo após uma paralisação por um tumulto generalizado.
Segundo informações (não oficiais), comentou-se que no vestiário, enquanto decidia se iria voltar ou não em campo, ligou do seu celular para o sr. Armando Marques, e este disse: “Acaba a partida, e fim de papo”. Depois, o sr. Armando Marques negou que tivesse dito isso, e o execrou do futebol brasileiro. Encerrou a carreira de um excelente árbitro, que tinha sido cogitado até para ser árbitro da Fifa. Para o sr. Edílson, tudo. Para o sr. Alfredo, nada!... Por quê? Será porque o sr. Edílson tem os olhos azuis, sr. Armando Marques? Volto a perguntar: por que o sr. Edílson voltou a apitar, depois do caso do diploma falso, divulgado até na televisão pelo repórter Juca Kfouri: o sr. não lê ou vê televisão, sr. Armando Marques? Fica enclausurado em uma sala da CBF, não dá entrevistas, não participa de nada. Estamos no século XXI, sr. Armando Marques.
A transparência caminha junto com a mídia, onde se esclarece fatos. Fatos como por mim relatados acima. Se não tem argumentos para fazê-lo, não seria melhor pegar sua “rica plumagem” e sair pela porta dos fundos? Poderia até convidar o sr. Ricardo Teixeira para acompanhá-lo. Existem pessoas decentes que podem ocupar os dois lugares com competência. Exemplifico, o Zico, que está fazendo um excelente trabalho no Japão. Este, sim, tem idéias que poderiam revolucionar o futebol brasileiro.
Luiz Carlos Pasquarelo