10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Matrícula em escola privada cresce 10%

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O número de alunos matriculados em escolas particulares voltadas aos ensinos fundamental e médio cresceu 10,7% em Bauru no período compreendido entre 2002 e 2004. Dados do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) mostram que a taxa é superior à expansão dos estabelecimentos da rede privada na cidade no mesmo período, que foi de 6,35%.

O levantamento também indica crescimento regional (14%) e estadual (12,5%) na quantidade de escolas particulares. Os números coincidem com a tendência nacional: nos últimos cinco anos, a expansão da rede privada de ensino beirou os 20% no Brasil.

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro aponta que o número de escolas particulares no País aumentou 19,12% entre 1999 e 2004, passando de 29,5 mil para 35,2 mil. O levantamento, encomendado pela Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), foi divulgado durante o 3.º Congresso Rio de Educação.

O coordenador da pesquisa, economista Salomão Quadros, comenta que as escolas particulares movimentaram mais de R$ 35 bilhões em 2004. “Isso significa 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Além disso, a educação privada emprega 660 mil pessoas (1% dos 70 milhões de trabalhadores no Brasil), com salários cerca de 45% maiores que a média do rendimento do trabalhador brasileiro”, destaca.

Em contrapartida, o número de matrículas registradas no mesmo período mostrou-se bem inferior ao crescimento da rede, com uma elevação de 4,74%. Segundo Quadros, caiu 9,2% o total de alunos por escola no ensino fundamental e 17,2% no ensino médio.

Para o diretor regional do Sieeesp, Gerson Trevizani, para analisar essa realidade é preciso levar em consideração o perfil das escolas nas cidades do Interior.

“Nós temos várias escolas particulares com capacidade para atender 600, 800 alunos. Em outras regiões do Estado, é comum ter um número maior de escolas, porém, estruturadas para receber grupos menores de estudantes”, pondera.

Quadros concorda. “Se a cidade já tem uma base de escolas privadas grande, talvez não haja espaço no município para um crescimento acentuado da rede. O Rio de Janeiro, por exemplo, tanto a cidade quanto o Estado, registram a maior presença de escolas privadas do País. É natural que não haja uma expansão tão acentuada”, acrescenta.

Trevizani salienta também que muitas escolas foram desmembradas nos últimos anos no Brasil. “A lei permite que estabelecimentos de ensino fundamental recolham tributos pelo Simples, mas isso não vale para escolas que oferecem ensino médio. Então, muitas instituições que mantinham os dois foram divididas em duas empresas, para obter o benefício tributário”, afirma.

Qualidade

Na opinião do diretor regional do Sieeesp, o crescimento no número de alunos registrado no Estado de São Paulo reflete a preocupação da sociedade com a baixa qualidade de ensino da rede pública nos últimos anos.

“A escola particular investe muito no treinamento e reciclagem do professor e a coordenação é muito mais simples. Se as peças não funcionam bem, você tem autonomia para trocá-las. Na rede pública isso é mais complicado. O professor é concursado e ninguém mexe com ele. Vai da boa vontade de cada um se atualizar”, compara.

____________________

Inadimplência

De acordo com o diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Gerson Trevizani, a inadimplência nas escolas particulares de Bauru tem aumentado desde o mês de maio.

“No ensino fundamental e médio, a taxa de inadimplentes é de 10% a 15%. No nível superior, esse índice atinge 25%”, informa.

Trevizani observa que os índices econômicos divulgados ultimamente mostram uma economia em crescimento, mas que isso tem sido restrito a alguns setores, especialmente às exportações.

“Mas o padrão de vida da classe média está só caindo. O pai deixa de pagar a escola não porque quer, mas porque não consegue. Ao mesmo tempo, não quer tirar o filho da rede privada preocupado com qualidade. Só que as escolas não renovam a matrícula de inadimplentes e isso pode ser um sério problema”, encerra.