10 de julho de 2026
Bairros

Apae pode ampliar reabilitação física em 70% com novo prédio

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru lançará hoje, às 9h, a pedra fundamental do novo Centro de Reabilitação Física, que permitirá à entidade aumentar em 70% o número de pessoas portadoras de deficiência física ou de seqüelas resultantes de acidentes e doenças. O atual centro de reabilitação, instalado em espaço improvisado, recebe por mês cerca de 350 pacientes de Bauru e 38 municípios da região, dos quais 140 são crianças que freqüentam a escola da própria Apae.

Segundo Luciana Marçal da Silva, coordenadora do Centro de Reabilitação Física da entidade, outras 150 pessoas ainda aguardam a oportunidade de serem atendidas, o que explica a necessidade do prédio próprio. O atendimento é pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As obras vão ser iniciadas imediatamente após o lançamento da pedra fundamental, segundo Olga Bicudo Tognozzi, presidente da Apae. A previsão dela é concluir o prédio entre dois e três anos.

Serão construídos 1.600 metros quadrados, com um custo previsto de R$ 800 mil. A entidade já possui em torno de R$ 100 mil para iniciar a obra, renda obtida com as duas últimas edições da Feira da Bondade e a já tradicional promoção Sorteio de Prêmios. Para levantar o restante do dinheiro necessário, Olga explica que não vai ficar apenas nas feiras. “Vamos em busca de outros recursos e vamos fazer mais companhas. A nossa pretensão é terminar esse centro entre dois e três anos. Quem tem urgência de atendimento não pode esperar”, ressalta.

O atendimento prestado pela entidade se destaca pela multidisciplinariedade. A equipe é formada por fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros e médicos ortopedistas e neurologistas. A expectativa, revela Olga, é expandir o quadro de profissionais para se adequar à nova demanda.

Além de todos os serviços de fisioterapia, a Apae mantém uma escola com 440 alunos e também oferece hidroterapia e equoterapia, numa parceria firmada com a Polícia Militar. Segundo o fisioterapeuta Darcísio Hortelan, que há dois anos trabalha na instituição, as novas instalações vão melhorar o atendimento à população. “Existe o estigma que o atendimento no SUS é de baixa qualidade. Aqui nós temos o mesmo padrão de centros particulares e com o novo prédio, iremos aumentar o número de atendimentos e aumentar a qualidade”, aponta Hortelan.

Avaliação do paciente

Há três anos Elisângela Jumonji vai todos os dias à Apae acompanhar a terapia do filho Davi, 4 anos. O garoto apresenta um quadro de atraso motor e se locomove com auxílio de cadeira de rodas. “Quando chegou aqui, o Davi nem andava e hoje já dá os primeiros passos”, observa. Sobre o novo centro, a mãe é muito esperançosa: “Se hoje eu venho a semana inteira, com o novo prédio virei duas vezes ao dia”, afirma.

O aposentado Natal da SiIva, 55 anos, está fazendo tratamento há um ano e meio para se recuperar de um acidente que causou inchaço em sua medula, levando a um caso de semitetraplegia. “Depois que eu comecei o tratamento aqui, melhorou bem”, elogia o aposentado, que está confiante com a ampliação das instalações da entidade. “A minha expectativa é poder vir mais vezes por semana para me recuperar logo”.

Na Apae, Natal realiza exercícios de hidroterapia, fisioterapia de solo, reeducação da postura global e outros. “Nos outros lugares, são alunos que fazem o tratamento e se o aluno sai, a terapia é mudada. Aqui é um trabalho mais continuado”, compara Silva.

Com lágrimas nos olhos, Maria José Ribeiro de Campos, 65 anos, elogiou a atenção dispensada pelos profissionais da Apae. Há três meses ela recebeu uma prótese no joelho para a recuperação do osso lesionado devido à artrose. “Adoro aqui. Para mim é um lar”, confessa Maria José. “E se é bom pequena, imagine grande”, analisa.

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Pesquisa para qualidade de vida

Além da recuperação física dos pacientes, o novo centro de reabilitação ampliará a capacidade de pesquisa da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Segundo Luciana Marçal da Silva, coordenadora do centro, um comitê já desenvolve estudos, principalmente na área de informática, para melhorar a vida dos portadores de deficiência.

Trabalham em parceria com a Apae, o Centrinho, estagiários da Universidade de São Paulo (Unip) e da Faculdades Integradas de Bauru (FIB), além das colaboração do Centro de Tecnologia Industrial (CTI) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Atualmente estão criando downloads adaptados para deficientes e capacitando professores da rede pública para atuar com os portadores de deficiência”, exemplifica Silva.

O novo Centro de Reabilitação Física da Apae foi projetado pelos alunos da Faculdade de Arquitetura da Unesp, sob coordenação da professora Silvana Aparecida Alves, e será construído ao lado da sede da entidade, na avenida José Henrique Ferraz, 20-20, no Jardim Ouro Verde.