11 de julho de 2026
Nacional

Polícia do Rio indicia 11 funkeiros por apologia ao tráfico de drogas

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - A polícia do Rio indiciou 11 funkeiros que se apresentam em bailes em comunidades carentes do Rio, sob acusação de apologia ao tráfico de drogas. De acordo com a polícia, todos cantam músicas que exaltam traficantes, o consumo de drogas, facções ou atos criminosos. A investigação durou quase um ano. Nesse período, os agentes da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), conseguiram reunir material em vídeo, fotos e áudio para indiciar os cantores.

Os funkeiros usavam sites da Internet para divulgar as suas músicas, conhecidas no Rio como “proibidões”. As rádios se recusam a veiculá-las. Além dos funkeiros terem sido indiciados, o dono de uma rádio que transmite por meio da Internet foi preso. Na quinta-feira, Dayvid de Melo de Britto, 18 anos, foi autuado por apologia ao crime. A rádio tocava proibidões ao vivo. Brito poderá ficar preso por até seis meses. O site permitia baixar os “proibidões”, encontrar fotos dos principais cantores, além de ter acesso a vídeos gravados em bailes. A página foi retirada do ar.

Ontem à tarde, MC Frank, um dos indiciados pela DCRI, prestou depoimento na Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). Frank é cantor do funk “Bonde do 157”, em referência ao artigo do Código Penal que trata de roubo. Na música, ele descreve ataques a motoristas, relaciona os nomes dos veículos preferidos dos assaltantes e conta como as vítimas devem se comportar ao serem abordadas. Na letra, Frank diz: “Audi, Civic, Honda/ Citröen e o Corolla/Mas se tentar fugir/ Pá! Pum!/ Tirão na bola (na cabeça)/ Na Chatuba é 157”.

Na DRFA, o funkeiro foi indiciado sob a acusação de apologia ao crime. Pode ser condenado a até seis meses de prisão. “A letra da música é muito clara. Ele agora vai ter que tratar com a Justiça”, disse o delegado Gilberto Oliveira. Frank afirmou que foi pressionado a fazer a música pela comunidade.

Ontem, a MC Sabrina, que também foi indiciada, conseguiu adiar o seu depoimento na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Ela canta uma música em homenagem aos líderes do tráfico do morro da Providência - Sapinho e Dão. Controlado pelo Comando Vermelho, o morro fica localizado no centro do Rio. Na música, ela diz que no morro que manda são os traficantes. Um dos trechos da letra, ela canta: “Bota a cara, não se espanta/vai saindo de fininho/porque aqui na Providência é o Dão e o Sapinho/É nós Sapinho”.

Na investigação da DRCI, os agentes conseguiram imagens com a funkeira cantando músicas sobre o “boldin”, maconha vendida na Providência. Sabrina gravou também o funk “Lula Liberô”. Na canção, é simulado um comunicado atribuído ao presidente Lula liberando o uso de drogas e dos “proibidões”. No sábado, 60 policiais civis proibiram a realização do baile funk no morro da Providência, onde seria comemorado o aniversário da MC Sabrina. Com apoio de um carro blindado, os policiais fecharam todos os acessos ao morro. Traficantes reagiram e deram início a um tiroteio. A reportagem não localizou os indiciados para que se manifestassem a respeito das acusações.