11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Política habitacional nunca foi tão incentivada, diz Chap Chap

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

“Nos meus 45 anos de vivência no mercado imobiliário, nunca vi tantas facilidades sendo oferecidas à população no setor de financiamento habitacional. Os bancos estão disputando mutuários e reduzindo cada vez mais os juros das linhas voltadas a esse setor. Estamos vivendo um momento inédito.” A afirmação é do presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Romeu Chap Chap, ao ser questionado sobre os rumos da política habitacional no País.

Ao fazer sua avaliação, Chap Chap elenca uma série de medidas que vêm sendo tomadas pelo governo federal com o objetivo de ampliar o acesso da população, principalmente a de baixa renda, aos financiamentos habitacionais. Entre elas, destaca a lei de número 10.931, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 2 de agosto.

“Essa lei foi trabalhada junto com o ministro da Fazenda (Antônio Palocci) para que fosse corrigida uma série de obstruções ao financiamento imobiliário, além de várias resoluções do Conselho Monetário Nacional induzindo os bancos a aplicar recursos nesse setor. Mais recentemente eu cito a MP (Medida Provisória) do Bem, que está em discussão no Congresso Nacional. Isso inclui a isenção do pagamento do Imposto de Renda sobre o lucro imobiliário”, observa Chap Chap, que esteve ontem na cidade para o lançamento do 2.º Festival Imobiliário de Bauru (Feimob).

De acordo com ele, entre os principais reflexos dos investimentos que o governo vem fazendo em política habitacional está a competição entre as instituições financeiras na busca por mutuários. Pesquisas feitas por órgãos como o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP) e o próprio Secovi mostram que, ao longo deste ano, grande número de bancos melhoraram as condições de acesso aos empréstimos habitacionais.

Entre as mudanças estão a ampliação dos limites máximos de financiamento, queda dos juros e o aumento da idade exigida do candidato a mutuário. Na Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, o limite é de 80 anos, somando-se a idade do mutuário e o prazo de financiamento. Somente a CEF tem R$ 10,9 bilhões para investir em habitação neste ano. Os bancos privados, por sua vez, têm cerca de R$ 12 bilhões para aplicar em financiamento habitacional.

De acordo com o superintendente regional do Escritório de Negócios da CEF em Bauru, Geraldo Luiz Machado de Oliveira, para a região de Bauru o banco tem R$ 66 milhões em recursos a serem aplicados em financiamento habitacional. Deste total, R$ 30 milhões ainda estão disponíveis.

“Temos recursos abundantes hoje para aplicar nesse setor, mais até do que a demanda. Os bancos estão baixando os juros cada vez mais. O juro máximo do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) é de 12% ao ano, mas já está havendo uma disputa entre os bancos para ver quem oferece menos. Isso nunca houve na história do mercado imobiliário”, acrescenta Chap Chap.

A partir do momento em que os juros são reduzidos e os prazos para pagar o financiamento são ampliados, é possível diminuir o valor das prestações. Segundo ele, nesta semana o Bradesco lançou uma modalidade de financiamento imobiliário com prestações fixas e juros de 12% ao ano sem correção monetária nos primeiros 36 meses.

A superintendente nacional de habitação da CEF, Vera Lúcia Martins Vianna, reitera o bom momento do setor habitacional no País. “Estamos vivendo um marco neste setor. O cenário econômico (nacional) está positivo e a mobilização está feita. A população já está percebendo isso e as coisas vão melhorar ainda mais.”